O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) redigiu em 2007 um relatório confidencial, ao qual a AFP teve acesso nesta segunda-feira, concluindo que o tratamento dado pela CIA a suspeitos de terrorismo era tortura.

O documento, cuja existência foi revelada pela imprensa americana, constitui o mais detalhado relatório sobre o tratamento dispensado a prisioneiros em meio à "guerra contra o terrorismo", iniciada pelo ex-presidente americano George W. Bush, cujos métodos o atual governo de Barack Obama se dispôs a investigar.

Lendo as conclusões dos investigadores da Cruz Vermelha, é possível perceber que eles entrevistaram ex-prisioneiros de centros de detenção da CIA, supostos membros da Al Qaeda, que em 2006 foram transferidos para a prisão de Guantánamo, em Cuba.

Os 14 detentos interrogados pelo CICR disseram ter sofrido maus tratos, tais como espancamentos, privação do sono, temperaturas extremas e, em alguns casos, simulações de afogamento.

Este tipo de tratamento é "cruel, inumano e degradante", e correspondem muitas vezes a "tortura", afirma a Cruz Vermelha no relatório.

Procurada pela AFP, a CIA se negou a comentar as informações.

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