Washington, 24 ago (EFE).- Um relatório que será divulgado hoje pelo Departamento de Justiça americano revela detalhes sobre os abusos cometidos por agentes da CIA durante interrogatórios a membros da Al Qaeda, que foram ameaçados com pistolas e furadeiras elétricas, informou hoje a CNN.

Alguns meios de comunicação americanos, entre eles a "CNN" e a revista "Newsweek", tiveram acesso prévio a este relatório, que será divulgado hoje pelo procurador-geral Eric Holder.

Segundo a "CNN", o relatório revela que agentes do serviço de inteligência americano utilizaram uma furadeira elétrica e uma arma em dois interrogatórios a Abd al-Rahim al-Nashiri, acusado pelo ataque contra o destróier americano USS Cole, que matou 17 oficiais da Marinha em 2000.

O relatório, que foi elaborado em 2004 pela Inspeção Geral da CIA, será divulgado hoje por ordem de um juiz de Nova York, em resposta a um processo apresentado pela União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês).

Os interrogatórios supostamente aconteceram em prisões secretas da CIA antes de 2006, quando o presidente George W. Bush decidiu mandar todos os presos por terrorismo para a base de Guantánamo, em Cuba.

A revista "Newsweek", por sua parte, revelou que, segundo o relatório, os detidos eram expostos a falsas execuções durante os interrogatórios para amedrontá-los e, em uma ocasião, uma arma foi disparada em um cômodo ao lado, para que um interrogado pensasse que outro tinha sido assassinado.

Por enquanto, a CIA não emitiu nenhuma avaliação sobre este documento que, aparentemente, revela condutas inapropriadas de 12 agentes.

Para o diretor-executivo da ACLU, Anthony D. Romero, os detalhes do relatório "oferecem mais provas dos sérios crimes cometidos por oficiais do Governo nos interrogatórios de prisioneiros", com atuações que "não somente são censuráveis, mas também ilegais".

O jornal "The Washington Post" também informou hoje que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aprovou a criação de uma seleta equipe de interrogadores que investigará os suspeitos de atividades terroristas.

O "Washington Post", que cita como fonte altos funcionários do Governo que não foram identificados, afirmou que essa medida "é parte de um esforço mais amplo, para reger a nova política dos Estados Unidos sobre detenções e interrogatórios". EFE pgp/pd

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