Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Relatório revela 59 execuções e 336 desaparecimentos em ditadura no Paraguai

Assunção, 28 ago (EFE).- Pelo menos 59 pessoas foram executadas e outras 336 desapareceram no Paraguai durante a ditadura de mais de 35 anos do general Alfredo Stroessner (1954-1989), segundo o relatório final da Comissão de Verdade e Justiça apresentado hoje.

EFE |

O relatório, divulgado em um ato com a presença do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e de representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário, detalha que o número de perseguidos, registrados mediante 2.059 testemunhos de sobreviventes e parentes de desaparecidos, subiu para 128.076.

Deste total, 20.090 pessoas foram identificadas como vítimas diretas e 107.987 como indiretas, dentre as quais figuram "parentes ou pessoas próximas que sofreram as conseqüências desses crimes", explicou o presidente da Comissão de Verdade e Justiça, bispo Mario Melanio Medina.

Durante o regime de Stroessner, foram realizadas 19.862 detenções arbitrárias, "das quais 18.772 incluíram alguma forma de tortura, e este último número constitui 94,5% dos que foram privados ilegalmente de sua liberdade", assinalou Medina.

O bispo também destacou que foram detectados 3.470 casos de "exílio político forçoso", número que, segundo Medina, não reflete o total de casos dos que tiveram que abandonar o país por razões também vinculadas à ditadura.

"Praticamente nenhuma vítima se salvou da tortura. Cerca de 17.277 pessoas foram objeto de pelo menos uma forma de tortura física e 16.675 de torturas psicológicas", acrescentou o bispo.

O relatório final da Comissão de Verdade e Justiça inclui uma série de recomendações para o Estado, entre as quais se destaca a análise dos testemunhos para eventuais processos judiciais contra os responsáveis por esses abusos.

Medina citou como cúmplices e envolvidos nesses fatos o Poder Executivo, as Forças Armadas, a Polícia e outros organismos de segurança do regime, assim como militantes do Partido Colorado, legenda que perdeu sua hegemonia de 61 anos no Governo nas eleições de 20 de abril.

Por sua parte, Lugo pediu perdão "em nome da nação" pelos abusos contra os direitos humanos cometidos durante a ditadura, na leitura de um emocionado discurso.

A Comissão de Verdade e Justiça é integrada por nove membros de diferentes setores da sociedade paraguaia e foi criada para investigar não só os crimes do regime de Stroessner, mas os cometidos pelo Estado até o momento da promulgação da lei que estabeleceu sua criação, em 6 de outubro de 2003. EFE rg/wr/gs

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG