Relatório pericial indica que morte de jovem grego foi acidente

ATENAS - Os primeiros dados conhecidos do relatório de balística sobre a morte de um jovem grego devido aos tiros da polícia indicam que o projétil rebateu contra uma superfície dura antes de atingir a vítima, informou hoje a imprensa local.

Redação com agências internacionais |

A imprensa grega divulgou parte das conclusões do relatório pericial sobre o incidente no qual o jovem Alexandros Grigoropoulos morreu, em 6 de dezembro.

Segundo o jornal "Ta Nea", os peritos chegaram à conclusão de que a bala tocou em uma superfície dura a uma altura de 40 ou 50 centímetros do chão antes de rebater e atingir o adolescente no peito.


Protestos continuam nas ruas de Atenas / AP

Essa conclusão foi adiantada na semana passada pelo advogado dos dois agentes envolvidos na morte do jovem, que estão em prisão preventiva. A defesa dos policiais afirma que a bala ricocheteou em algum lugar antes de atingir o jovem, fazendo com que a morte tivesse sido causada pora um "acidente".

Epaminondas Korkoneas, autor dos disparos e acusado de homicídio proposital, declarou que, no dia dos fatos, foi agredido junto com o colega por um grupo de 30 radicais e explicou que, assustado e temendo por sua vida, tirou o revólver e deu dois ou três tiros para o alto.

No entanto, a advogada da família do jovem insistiu hoje na tese do homicídio e disse que o relatório pericial não muda nada, já que "existem diversos testemunhos que garantem que o policial acusado apontou contra a vítima".

A advogada informou que solicitou uma reconstituição dos fatos e uma investigação no local, dado que, após o relatório do legista e o balístico, "não é possível tirar uma conclusão segura".

Protestos continuam

Um protesto de estudantes em Atenas, que contou com a participação de cerca de 7 mil pessoas, acabou hoje em confusão em um novo dia de protestos por causa da morte de um adolescente pela polícia no último dia 6 de dezembro.

Segundo a imprensa local, dezenas de manifestantes atacaram com bombas incendiárias e pedras os policiais concentrados nas proximidades do Parlamento grego. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes violentos.

Os distúrbios se espalharam pelas ruas comerciais do centro de Atenas no 13º dia de protestos pela morte do de Alexis Grigoropulos, de 15 anos, que foi atingido por um policial.


Grécia é palco de confrontos há 2 semanas / AP

Os sindicatos e as organizações de estudantes de universidades e ensino médio convocaram para hoje diversas concentrações e interrupções na capital grega contra a violência policial, a situação econômica e a gestão do governo conservador.

As mobilizações levaram ao cancelamento de 32 vôos, enquanto outros 61 tiveram que ser modificados, pois havia controladores aéreos participando do protesto.

Em Salônica (norte da Grécia) aconteceram duas manifestações pacíficas convocadas por funcionários locais e sindicatos de professores. Além disso, estudantes do ensino médio e professores de Hania, na ilha de Creta, se concentraram de forma pacífica no centro da cidade.

Mais de 700 colégios de ensino médio estão ocupados ou fechados há 13 dias. Além disso, a maior parte das universidades gregas continua ocupada pelos alunos.

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