Relatório mostra precariedade de prisão que pegou fogo em Honduras

Documento do governo aponta superlotação e mostra que maioria dos presos ainda aguardava julgamento; brasileiro estaria entre mortos

iG São Paulo |

O incêndio que deixou 355 mortos em uma prisão de Honduras provocou denúncias de negligência e um debate sobre as condições carcerárias do país. Em entrevista ao jornal La Prensa, a coordenadora dos procuradores do Ministério Público de Honduras, Danelia Ferrera, disse que um brasileiro estava entre as vítimas na Colônia Agrícola Penal de Comayagua, no centro do país. Contatado pelo iG , o Itamaraty afirmou que ainda não pode confirmar a informação.

AP
Mulher de preso morto em incêndio em Honduras chora em frente à penitenciária de Comayagua (15/02)

Segundo um relatório do governo de Honduras divulgado nesta quinta-feira pela Associated Press, a penitenciária de Comayagua era um local que abrigava mais presos do que poderia – sendo que a maior parte deles nem tinha ido a julgamento ou sido formalmente acusada.

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De acordo com o relatório, enviado este mês para a Organização das Nações Unidas (ONU) e obtido pela Associated Press, mais da metade dos 856 prisioneiros que estavam em Comayagua esperava julgamento ou era mantida presa sob a suspeita de integrar gangues.

Também segundo o documento, a prisão tinha capacidade para 500 prisioneiros e a segurança era mantida por 51 guardas durante o dia e 12 durante a noite. Além disso, o orçamento previa um gasto de apenas US$ 1 por dia com comida para cada prisioneiro.

O incêndio de terça-feira foi provocado por um detento que incendiou um colchão e levou a cenas de desespero. Homens gritavam trancados em suas celas enquanto equipes de resgate buscavam as chaves. Sobreviventes conseguiram escapar pelo telhado, para depois ver outros prisioneiros morrendo queimados ou presos a estruturas de metal.

O governo de Honduras disse estar investigando denúncias de negligência como as relativas à demora das autoridades carcerárias em avisar os bombeiros e a dificuldade para encontrar as chaves das celas.

"A Procuradoria-Geral está a cargo da investigação e estamos cooperando para que tenhamos conclusões preliminares para esclarecer e elucidar responsabilidades neste fato tão lamentável", declarou o ministro da Segurança, Pompeyo Bonilla.

O presidente de Honduras, Porfirio Lobo, suspendeu o chefe do sistema carcerário nacional, Danilo Orellana, além de outras autoridades. Lucy Marder, chefe de medicina forense da promotoria, disse que será preciso ao menos três meses para identificar todas as vítimas. Por conta do nível das queimaduras em alguns corpos, serão necessários testes de DNA.

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