Relatório lista receita para crescimento de emergentes

Uma comissão formada por vencedores do prêmio Nobel e especialistas na formulação de políticas públicas, analisou países que tiveram crescimento econômico sustentável nos últimos 25 anos e concluiu que eles têm cinco características em comum que podem explicar suas histórias de sucesso. Em um relatório intitulado The Growth Report: Strategies for Sustained Growth and Inclusive Development (O Relatório do Crescimento: Estratégias para Crescimento Sustentado e Desenvolvimento Inclusivo, em tradução livre), a Comissão diz que a trajetória dos 11 países (inclusive o Brasil) e dois territórios analisados prova que países em desenvolvimento que enfrentam dificuldades econômicas podem dar a volta por cima.

BBC Brasil |

De acordo com o documento, esses países e territórios tiveram em comum a capacidade de explorar as oportunidades na economia global; estabilidade macroeconômica; altas taxas de poupança e investimento; liberdade para o mercado alocar recursos e estabelecer preços; e governos capazes e confiáveis.

Entre os países selecionados pela Comissão, o Brasil é o único representante da América Latina e figura ao lado da China, Botsuana, Indonésia, Japão, Coréia do Sul, Malásia, Malta, Omã, Cingapura e Tailândia. Hong Kong e Taiwan também foram analisados.

Todas essas economias tiveram, nos últimos 25 anos, um crescimento médio de 7% ao ano. No caso brasileiro, esse crescimento se concentrou entre 1950 e 1980, quando ocorreu o chamado Milagre Econômico.

Papel do Estado
Patrocinada por governos de vários países e pelo Banco Mundial, a Comissão sobre Crescimento e Desenvolvimento, responsável pelo documento, passou dois anos analisando os 13 casos de crescimento sustentado.

"Em um momento onde os países industrializados estão passando por um recuo no crescimento, muitos dos países mais pobres do mundo pensaram que o crescimento seria elusivo. No entanto, acreditamos que o crescimento rápido, sustentável, pode ser explicado e repetido", afirma Michael Spence, que liderou a comissão responsável pelo relatório.

O documento ressalta a importância dos mercados econômicos para o crescimento, mas afirma que estes não são suficientes para garantir o desenvolvimento e destaca o papel do Estado neste sentido.

Segundo o relatório, apesar de a tendência das últimas décadas ter sido a de incentivar a redução do papel dos governos, estimular a liberalização, reduzir a regulação e incentivar a privatização, esta tendência restringe demais o papel do Estado.

Os autores do Estudo ressaltam que o crescimento "é possível, contanto que os líderes estejam comprometidos em atingi-lo e aproveitem as oportunidades oferecidas pela economia global".

Danny Leipziger, vice-presidente da Comissão, disse que "não há fórmulas mágicas para criar um crescimento permanente e inclusivo" e que não há paradigmas únicos.

"No entanto, a Comissão conseguiu identificar os elementos indispensáveis", afirmou.

Brasil
O documento afirma que, entre os países analisados, o Brasil foi o primeiro a atingir o alto crescimento sustentável, em 1950, e também o primeiro a perder seu melhor momento, no início da década de 80.

"O rápido crescimento econômico definhou depois do Segundo Choque do Petróleo em 1979 e ainda não foi retomado", diz o texto do relatório.

Segundo o documento, a estratégia de substituição de importações adotada pelo Brasil funcionou bem na década de 50, mas o país foi atingido pela primeira crise do petróleo em 1973, sofrendo com a inflação e com dívidas.

A queda nas importações entre as décadas de 80 e 90 fez o Brasil perder tudo o que havia conquistado no período de alto crescimento econômico, ressalta o relatório.

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