Dublin, 3 set (EFE).- O Conselho Armado do Exército Republicano Irlandês (IRA), órgão de decisão do grupo responsável por comandar sua campanha armada no passado, já não opera mais, segundo um relatório da Comissão Independente de Monitoramento (IMC) divulgado hoje.

O documento, de 12 páginas, diz que o IRA desmantelou todas as suas "estruturas terroristas" e carece de uma cúpula de líderes capaz de organizar uma ofensiva armada contra as forças de segurança.

A publicação do relatório acontece após o Partido Unionista Democrático (DUP) ter exigido a dissolução do Conselho Armado do IRA, pois sua existência cria obstáculos para o avanço do processo político na Irlanda do Norte.

A este respeito, a IMC reconhece que há setores que querem ver a "dissolução pública das estruturas de liderança do IRA", mas afirma que a organização paramilitar seguiu seus "próprios métodos" para acabar com "sua chamada luta armada".

"Segundo as regras do IRA, o Conselho Armado era o órgão responsável por dirigir sua campanha militar. Agora que esta campanha acabou definitivamente, o Conselho Armado, por decisão própria, já não opera mais ou está em funcionamento", destaca a IMC.

O relatório acrescenta que "o mecanismo escolhido para terminar com o conflito armado se baseou no desmantelamento das estruturas envolvidas na campanha armada e na tomada de uma decisão deliberada que tornou o Conselho Armado inútil".

O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, disse hoje que o texto deixa claro que o "Conselho Armado do IRA agora é redundante".

"O IRA cumpriu suas obrigações. Abandonou todas suas estruturas terroristas, os recrutamentos e os chamados departamentos militares foram desmantelados", afirmou Woodward, que pediu a todos os agentes implicados no processo de paz que "leiam minuciosamente o documento".

O ministro lembrou que a análise da IMC reitera que o IRA destruiu todos seus arsenais e continua comprometido com a via política.

"Se não existe Exército algum, qual é o problema aqui?", questionou Woodward.

Esta questão era dirigia ao DUP, cujos membros se reúnem esta semana com seus parceiros no Executivo norte-irlandês, o Sinn Féin (braço político do IRA), para abordar o futuro do Governo autônomo de poder compartilhado.

A existência do Conselho Armado do IRA, segundo o DUP, impede que Londres transfira atualmente ao Governo autônomo as competências em matéria de Justiça e Interior, tal como reivindica o Sinn Féin.

Ao contrário do Sinn Féin, o DUP considera prematura a transferência destas áreas para o Executivo de Belfast, pois ainda duvida do compromisso do IRA com o processo de paz.

O Sinn Féin chegou a ameaçar abandonar o Governo de poder compartilhado, que deveria se reunir de novo em meados deste mês após as férias, o que provocaria uma nova crise institucional na Irlanda do Norte. EFE ja/wr/fal

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