Relatório final da CIDH sobre Honduras pode ficar pronto em 2 meses

Tegucigalpa, 22 ago (EFE).- O relatório final da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre violações neste campo em Honduras após o golpe de Estado contra Manuel Zelaya pode ficar pronto em dois meses, informou hoje uma fonte oficial.

EFE |

Um funcionário da CIDH disse à Agência Efe que "há muita informação pedida" em várias regiões do país e que processá-las em detalhes "levará tempo", mas afirmou que a entidade espera ter o documento final "em uns dois meses".

A fonte acrescentou que, por enquanto, não é possível definir se houve mais denúncias de seguidores do presidente deposto que exigem sua restituição no poder ou dos que estão contra seu retorno.

"Nestas situações, qualificamos o tipo de violação aos direitos humanos", disse o funcionário, que destacou que a CIDH "recebeu mais de cem denúncias de todos os setores".

Em seu relatório inicial, apresentado ontem à noite em Tegucigalpa, a CIDH destacou a morte violenta de quatro pessoas desde 28 de junho, as dezenas de feridos e detidos, o fechamento temporário de alguns veículos de comunicação e as agressões a jornalistas, entre outras violações aos direitos humanos.

Liderada por sua presidente, a venezuelana Luz Patricia Mejía, a comissão relatou que "confirmou a existência de um padrão de uso desproporcional da polícia, de detenções arbitrárias, e do controle da informação dirigido a limitar a participação política de um setor da cidadania".

Além disso, "constatou a repressão exercida contra as manifestações por meio de blitzes militares, a aplicação arbitrária de toques de recolher, as detenções de milhares de pessoas, condutas cruéis, desumanos e degradantes, e más condições de detenção".

O ministro de fato das Relações Exteriores de Honduras, Carlos López, disse hoje que "não há grandes surpresas" no relatório da CIDH.

No entanto, López declarou a um canal da televisão local que lhe chamou a atenção o fato de o relatório ter "uma consistência absoluta" com a resolução da Assembleia Geral extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA), de 4 de julho, que determinou a suspensão de Honduras do organismo continental.

López ressaltou que a CIDH, da mesma forma que a OEA, utiliza termos como "Governo de fato" e "golpe de Estado" em alusão ao atual presidente de Honduras, Roberto Micheletti.

Em sua opinião, a CIDH "responde muito à orientação da Secretaria-Geral da OEA, embora digam que são independentes ou autônomos".

Além disso, o ministro disse que, como o relatório da CIDH divulgado até agora é preliminar, seu Governo "se reserva ao direito de fazer uma avaliação" quando da publicação do documento definitivo.

A delegação da CIDH chegou na segunda-feira passada à capital hondurenha e seu retorno para Washington está previsto para hoje.

Zelaya foi derrubado pelos militares em 28 de junho e enviado à Costa Rica horas antes de o Parlamento hondurenho designar Roberto Micheletti como presidente, cuja autoridade não é reconhecida internacionalmente. EFE gr/bba

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