Relatório diz que poucos países cumprirão Objetivos do Milênio da ONU

(embargada até 20h01 de hoje em Brasília) Londres, 10 abr (EFE).- Poucos países conseguem cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) das Nações Unidas contra a pobreza em matéria de mortalidade materna e infantil, afirma um relatório divulgado hoje pela revista médica britânica The Lancet.

EFE |

Segundo o documento "Contagem regressiva para 2015: acompanhando o progresso na sobrevivência materna, de recém-nascidos e infantil", apenas 16 países de uma lista de 68 nações com altos índices de mortalidade "estão bem" para conseguir cumprir os respectivos objetivos, que a ONU fixou para até 2015.

"Enquanto alguns países, principalmente a China, conseguiram progressos significativos, muitos outros, a maioria na África Subsaariana, não tiveram nenhum avanço ou vivenciaram até um retrocesso", afirmam os autores do estudo.

No entanto, o relatório é otimista ao destacar que os objetivos ainda são "alcançáveis" em muitos países.

O documento - escrito por Peter Salama, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e Jennifer Bryce, da Johns Hopkins School of Public Health (Estados Unidos), entre outros pesquisadores - ressalta que, entre os 16 países citados anteriormente estão Brasil, Bangladesh, Indonésia, México, Peru e Marrocos.

No entanto, apenas três países (China, Haiti e Turcomenistão) fizeram avanços "comprovados" para cumprir os objetivos fixados pela ONU.

"A conquista da China como o maior país do mundo é importante, assim como são estimulantes os sinais de vários países, muitos deles na África Oriental, que reduziram a mortalidade infantil de crianças com menos de cinco anos desde 2005", dizem os especialistas.

Apesar de o relatório admitir a falta de dados sobre mortalidade materna, ela é "alta ou muito alta" em 56 dos 68 países.

A revista "The Lancet" acredita que essa situação poderia melhorar com "atendimento prioritário" nos sistemas de saúde e um "cuidado funcional contínuo" das mulheres antes e durante a gravidez, no parto e no período pós-natal.

Além disso, o documento destaca a necessidade de "esforços sustentados e amplos" para aumentar programas de prevenção da transmissão do vírus da aids das mães para os bebês.

Os autores do estudo concordam com que os próximos dois anos serão "cruciais" para que "decisões estratégicas e investimentos" contribuam para tornar real "um progresso sem precedentes nos 68 países".

O diretor da "The Lancet", Richard Horton, atribuiu a morte de crianças e mulheres nesses países à atitude dos "que têm poder para prevenir essas mortes, mas decidem não agir".

"Essa indiferença - de políticos, de doadores, de quem financia pesquisas e da sociedade civil - é uma traição a nossa esperança coletiva de conseguir uma sociedade mais forte e justa (...)", declarou Horton.

O relatório foi divulgado antes da Conferência da Contagem Regressiva para 2015, que acontecerá entre 17 e 19 de abril na Cidade do Cabo, na África do Sul.

Espera-se que deputados dos 68 países e especialistas em saúde internacional participem da conferência, que também procura pressionar os líderes do G8 (os sete países mais ricos e a Rússia) antes da cúpula do grupo, em julho, no Japão.

Horton confia em que a reunião da Cidade do Cabo sirva para levantar a voz em favor de uma "mudança radical". EFE pa/wr

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