Relatório diz que EUA não têm plano para eliminar terroristas no Paquistão

Washington, 17 abr (EFE).- A Casa Branca não tem um plano completo para acabar com os redutos terroristas nas zonas tribais do norte do Paquistão, revela um relatório divulgado hoje pelo Escritório de Supervisão do Governo americano (GAO, na sigla em inglês).

EFE |

"Não foi desenvolvido um plano integral para o cumprimento das metas de segurança nacional dos Estados Unidos nas zonas tribais", tal como foi estabelecido por uma lei aprovada pelo Congresso americano, diz o GAO, que fez o estudo a pedido da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes.

Logo após a divulgação do documento, a oposição democrata, que controla as duas câmaras, se referiu a ele como "espantoso".

Em outubro de 2007, o Departamento de Estado disse que o Paquistão havia registrado um avanço "significativo" em direção à eliminação de redutos terroristas nas zonas tribais do país, destaca a análise do GAO.

No entanto, o estudo afirma que, apesar dos esforços militares do Governo de Islamabad, para as autoridades americanas, a Al Qaeda "regenerou sua capacidade de atacar os EUA e conseguiu estabelecer um reduto seguro" nas zonas tribais.

Os Estados Unidos já repassaram ao Paquistão, considerado um aliado-chave na luta contra o terrorismo, mais de US$ 10,5 bilhões para atividades militares, econômicas e de desenvolvimento.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o Paquistão retirou seu apoio aos talibãs, aceitou se aliar aos EUA e posicionou, segundo o Departamento de Estado, 120.000 soldados na fronteira, uma região onde as tribos gozavam de um relativa autonomia.

No entanto, o relatório do GAO destaca que o Estado paquistanês não se faz presente nas regiões tribais, que, por conta disso, "atraem extremistas e terroristas que buscam um lugar seguro".

Ainda segundo o documento, dos quase US$ 5,8 bilhões que, entre 2002 e 2007, os EUA destinaram exclusivamente às zonas tribais e à região fronteiriça com o Afeganistão, aproximadamente 96% foram usados no reembolso do Governo paquistanês por suas operações militares.

O presidente da Comissão de Assuntos Exteriores, Howard L.

Berman, considerou "espantoso que não haja uma estratégia completa para uma região tão crítica". Além disso, frisou que "esta falta de visão está prejudicando a segurança nacional dos Estados Unidos".

Apesar das leis aprovadas pelo Congresso e das diretrizes de Washington, "continuamos perambulando no deserto em vez de elaborar um plano coerente", criticou Berman. EFE mp/sc

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