Relatório de Israel diz que mortes em frota foram justificadas

Documento militar reconhece erros na ação contra navios com ajuda humanitária à Faixa de Gaza, mas não censura uso de munição real

iG São Paulo |

Uma investigação militar de Israel sobre a tomada de controle de uma frota de seis barcos com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza indica que houve vários erros de planejamento, inteligência e de coordenação na ação militar de 31 de maio, mas que as mortes de nove turcos a bordo eram justificadas, de acordo com um resumo oficial da investigação divulgado nesta segunda-feira.

AP
Imagens amadoras divulgadas por grupo que levava ajuda humanitária até a Faixa de Gaza mostram soldados israelenses a bordo de um dos barcos
Giora Eiland, um general reformado que liderou a investigação, entregou suas descobertas sigilosas para o chefe do Estado-Maior de Israel; elas não foram divulgadas publicamente. Mas uma declaração indicou que os investigadores censuraram o Exército por não saber quem estava a bordo dos navios, que tinha centenas de ativistas. 

Segundo uma autoridade militar envolvida na relatório, pelo menos seis militantes islâmicos turcos armados com bastões de metal e facas estavam no navio principal, Mavi Marmara, e prometeram combater qualquer tentativa de embarcar da Marinha israelense. Israel alegou que seus soldados agiram em legítima defesa após terem sido espancados pelos passageiros de um dos barcos durante a abordagem.

Os investigadores elogiaram os comandos isralenses que entraram no Mavi Marmara por helicópteros, dizendo que eles “operaram de forma adequada, com profissionalismo, coragem". Eles disseram que o uso de munição real foi justificada.

De acordo com o documento, a ação militar foi prejudicada por erros do comando militar, com problemas na coleta de informações de inteligência e planejamento. O relatório também diz que os comandantes concentraram seus esforços em apenas um plano de ação.

"Erros foram cometidos nas várias decisões tomadas, incluindo dentro dos níveis hierarquicamente altos, que contribuíram para que o resultado não fosse o desejado", disse Eiland durante pronunciamento em Tel Aviv. "Nesse inquérito, descobrimos que houve alguns erros profissionais relacionados à inteligência e ao processo de tomada de decisões", afirmou.

Investigação

A comissão liderada por Eiland começou seus trabalhos no dia 7 de junho, uma semana após a ação contra a frota.

Uma outra comissão de investigação civil, para analisar a legalidade da operação, também foi estabelecida, com a presença de dois observadores estrangeiros, para tentar aplacar a onda de críticas internacionais contra Israel por causa da operação.

A Turquia, principal aliado histórico de Israel no mundo muçulmano, ameaça cortar relações com o país se o governo israelense não se desculpar oficialmente pela operação, indenizar os familiares de vítimas e permitir uma investigação independente.

*Com BBC e New York Times

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