Relatório da Polícia britânica sobre morte de Jean Charles é adiado

A Polícia britânica coonfirmou nesta quinta-feira que a investigação sobre sua atuação no caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano em um metrô de Londres, não será divulgada até depois das eleições para a Prefeitura da capital, em maio.

AFP |

A Polícia rejeitou as acusações do candidato liberal-democrata a prefeito de Londres, Brian Paddick, que assegurou nesta quinta-feira que o relatório da investigação sobre a atuação do chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, na morte do brasileiro, abatido a tiros no dia 22 de julho de 2005, foi arquivada por "motivos políticos".

Essa informação prejudicaria, segundo Paddick, o chefe da Scotland Yard, e o prefeito trabalhista de Londres, Ken Livingstone, que concorre à reeleição.

Consultado sobre essas declarações, o organismo responsável pela administração da Scotland Yard (Metropolitan Police Authority - MPA) afirmou que a divulgação do informe a respeito da morte de Jean Charles foi adiada devido ao "imenso volume" de material e às "análises meticulosas" em curso.

"O informe ainda não está escrito, está sendo elaborado e vai ser apresentado à MPA antes do verão (hemisfério norte)", afirmou uma fonte da Polícia.

A apresentação do relatório, que deverá provocar uma grande controvérsia e novos pedidos pela renúncia do chefe da Polícia, estava prevista a princípio para o mês de fevereiro.

Vivian Figueiredo, prima de Jean Charles, condenou o adiamento da divulgação do documento, afirmando que a família "esperou tempo demais" para saber as circunstâncias da morte do eletricista brasileiro, que foi confundido com um terrorista pela Polícia, duas semanas depois dos atentados contra o sistema de transportes de Londres, no dia 7 de julho de 2005.

"Toda hora tentam manter em segredo a informação sobre como meu primo morreu. Merecemos saber tudo o que ocorreu" nesse dia no metrô de Stockwell, disse a jovem.

"Se for verdade que foi adiada por motivos políticos, será escandaloso", disse.

"É difícil não pensar que estão sendo usadas táticas dilatórias. Mas não estranhamos isso, vindo de um sistema que nos tratou muito mal desde o começo. O relatório deve ser divulgado sem mais atrasos", disse Figueiredo.

Os londrinos vão às urnas no dia 1º de maio, para eleger membros da Assembléia de Londres e o prefeito da capital, entre três candidatos: Ken Livingstone, o conservador Boris Johnson e Paddick, que quer ser o primeiro prefeito liberal de Londres.

Saiba mais sobre: Jean Charles

    Leia tudo sobre: jean charles

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG