Relatório da ONU sobre ataque de Israel a Gaza seria diferente

Autor do documento de 2008, o juiz Richard Goldstone revela que hoje teria feito um relato distinto do publicado

AFP |

O juiz sul-africano Richard Goldstone, autor de um relatório da ONU sobre as alegações de crimes de guerra durante a operação israelense na Faixa de Gaza no final de 2008, escreveu neste sábado no Washington Post que seu relatório teria sido "um documento diferente" hoje.

"Sabemos melhor hoje o que aconteceu durante a guerra de Gaza do que quando eu presidia a comissão de investigação", escreveu o magistrado no jornal.

"Embora Israel não negue, desde a publicação de nosso relatório, a perda trágica de vidas civis, lamento que nossa comissão de investigação não tenha tido acesso às provas sobre as circunstâncias nas quais consideramos que civis foram atacados em Gaza", considerou o magistrado.

"Isso teria, provavelmente, modificado nossas conclusões sobre a intencionalidade dos crimes e sobre a existência de crimes de guerra".

O relatório Goldstone havia indicado na época que havia a possibilidade de crimes de guerra cometidos ao mesmo tempo por Israel e pelo Hamas.

Um comitê criado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para verificar o cumprimento do relatório do juiz Goldstone, reconheceu que Israel havia dedicado "importantes recursos para investigar mais de 400 alegações de más condutas operacionais em Gaza".

Enquanto isso, escreveu o magistrado, o Hamas "não realizou uma investigação sobre o lançamento de ataques de foguetes e morteiros contra Israel", que originaram a operação israelense na Faixa de Gaza.

A ofensiva israelense de dezembro de 2008 em Gaza deixou oficialmente 1.400 mortos do lado palestino e 13 do lado israelense.

Segundo Goldstone, os crimes cometidos pelo Hamas foram intencionais porque que os foguetes "tinham civis como alvo, sem ambiguidade".

"As alegações de intencionalidade por parte de Israel estão baseadas na morte e nos ferimentos de civis em situações que a comissão de investigação da ONU não conseguiu determinar", acrescenta.Goldstone se disse preocupado também com o fato de "poucas investigações israelenses terem sido concluídas" e de que deveriam ter sido tornadas públicas.

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