Relatório culpa ex-procurador-geral por mortes e torturas em prisão iraniana

Teerã, 10 jan (EFE).- O ex-procurador-geral do Irã Said Mortazavi foi responsabilizado pelas mortes e torturas contra membros da oposição na prisão de Kahrizak, segundo um relatório lido hoje no Parlamento.

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A investigação sobre o que aconteceu com os opositores presos durante os protestos pós-eleitorais de julho passado diz que Mortazavi insistiu em transferir os detidos para Kahrizak, apesar de ter sido avisado das parcas condições do local e de ter tido a opção de usar a prisão de Evin.

"De acordo com o relatório da comissão especial do Parlamento, o então procurador-geral do Irã insistiu para que os 147 detidos em 9 de julho ficassem presos durante quatro dias em uma sala de 70 metros quadrados com condições inadequadas", destaca o relatório, publicado pela agência de notícias estudantil "Isna".

A prisão de Kahrizak, que fica no sul de Teerã, foi fechada no final de julho por ordem do líder supremo da Revolução, aiatolá Ali Khamenei, depois que foi noticiado que pelo menos três pessoas foram torturadas e morreram no local.

Entre as vítimas estava o filho de um dos assessores do candidato presidencial derrotado Mohsen Rezaei.

O relatório diz ainda que foi Mortazavi quem ordenou a transferência dos presos para a prisão de Kahrizak, "apesar de os diretores do presídio de Evin teram dito que tinham lugar suficiente".

De acordo com o documento, as autoridades de Kahrizak também se recusaram a receber os detidos. Porém, tiveram que cede à pressão do então procurador.

"Os detidos ficaram durante quatro dias junto com 30 presos perigosos, sem comida digna, com o ar viciado e em duras condições", escreveram os investigadores.

No relatório, a comissão também acusa Mortazavi de mentir para o Parlamento quando este pediu explicações sobre o ocorrido na prisão.

EFE jm/sc

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