Relatório critica Otan por mortes de imigrantes da Líbia no mar

Comissão do Conselho da Europa indica que 'erros' de Aliança, da Itália e da Espanha causaram a morte de 63 imigrantes no ano passado

EFE |

Uma comissão do Conselho da Europa responsabilizou nesta quinta-feira a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e vários países por "erros" que causaram no ano passado a morte de 63 imigrantes a bordo de um navio que partiu da Líbia durante o conflito no país .

Relembre: Otan nega ter permitido a morte de imigrantes à deriva

"Houve erros em diferentes níveis e foram perdidas muitas oportunidades de salvar as vidas das pessoas a bordo do navio", disse um relatório apresentado nesta quinta-feira como conclusão final após uma investigação de nove meses sobre o incidente.

Entre aqueles que poderiam ter feito mais para resgatar os náufragos, o texto aponta diretamente a guarda-costeira italiana e navios militares da Otan que estavam na região, como a fragata espanhola Méndez Núñez, já que a Aliança Atlântica executava o bloqueio naval contra a Líbia naquele momento.

A encarregada da investigação, a senadora holandesa Tineke Strik, fez nesta quinta-feira em Bruxelas uma reconstrução do acontecimento desde que, em 26 de março de 2011, a embarcação partiu de Trípoli com 72 a bordo (principalmente subsaarianos, como eritreus e etíopes) até que, duas semanas depois, empurrada pelas correntes, retornou ao litoral líbio com apenas nove sobreviventes.

O navio sofreu danos e seus pedidos de socorro foram aparentemente ignorados por duas semanas por "navios pesqueiros, um helicóptero militar e um grande navio militar". "As pessoas envolvidas nessa tragédia poderiam ter sido resgatadas se todos os envolvidos tivessem cumprido com suas obrigações", indicou o texto redigido por Tineke.

Segundo o relatório, quando estava quase sem combustível, alimentos e água, o capitão da embarcação pediu socorro por meio de um telefone via satélite. O Centro de Coordenação Marítima italiano foi imediatamente informado e emitiu um amplo número de alertas a navios na área e ao comando da Otan para que buscassem a embarcação.

Segundo Tineke, nas primeiras horas um helicóptero militar e vários navios pesqueiros viram a embarcação dos imigrantes e não fizeram nada. Posteriormente, após vários dias à deriva e quando um grande número de passageiros já tinha morrido, uma grande embarcação militar sem identificação e com aeronaves a bordo se aproximou do navio, mas também não o resgatou.

A senadora holandesa lembrou que vários navios da Otan estavam na região, entre eles o Méndez Núñez, que estaria a uma distância de 11 milhas marítimas, uma informação que as autoridades espanholas negam, afirmou.

Segundo ela, o governo espanhol disse que não recebeu nenhuma informação sobre o navio com problemas, enquanto a Aliança Atlântica diz que direcionou um aviso a todos os seus navios. Em informação concedida pelo Ministério da Defesa à senadora, a Espanha explica, além disso, que o helicóptero que se encontrava a bordo do Méndez Núñez também não avistou o navio.

"As autoridades espanholas reiteram que todos os navios espanhóis são conscientes de suas obrigações sob as leis do mar, incluindo aquelas relativas à assistência a pessoas ou navios com problemas, e lembram que durante a Operação Protetor Unificado a fragata espanhola Méndez Núñez ajudou ativamente muitas embarcações", disse o governo em seu comunicado.

O relatório do Conselho da Europa critica a Otan por sua atuação e também por não ter previsto a saída de pessoas da Líbia por mar durante o conflito. A comissão do Conselho da Europa pediu à Aliança uma investigação interna sobre o assunto, assim como processos parlamentares nos países que possam estar envolvidos.

Um porta-voz da Otan afirmou que a Aliança recebeu em 27 de março de 2011 um aviso geral das autoridades italianas sobre um navio que poderia estar em dificuldades, uma mensagem que enviou a todos os navios da organização presentes na zona.

"Embora não tenhamos registro de que nenhuma aeronave ou embarcação da Otan tivesse visto ou feito contato com esse navio, a Otan realizou outras operações de resgate nessa região e nessa época, e recuperou centenas de pessoas", afirmou.

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