Por David Clarke TOYAKO, Japão (Reuters) - Um relatório do governo britânico, a ser divulgado na segunda-feira, sugere um exame mais atento da vinculação entre a demanda por biocombustíveis e o aumento global dos preços dos alimentos.

Isso pode contrariar a meta da União Européia de incorporar até 2020 uma quota de 10 por cento de fontes renováveis nos combustíveis usados para transportes, algo que vem sofrendo crescentes críticas.

Derivados de produtos agrícolas, como cana, milho e trigo, os biocombustíveis são vistos como uma forma de substituir os combustíveis fósseis e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Mas críticos dizem que usar terras aráveis para produzi-los provoca uma pressão sobre os preços alimentícios e em alguns casos contribui com a destruição de florestas.

Também na segunda-feira, o governo britânico divulgará outro documento, chamado 'revisão Gallagher', que avalia os efeitos ambientais dos biocombustíveis e o impacto da meta para 2020 sobre os preços alimentícios, segundo um resumo divulgado previamente.

Em abril, o primeiro-ministro Gordon Brown disse que Londres defenderia mudanças nas metas européias caso a avaliação demonstrasse que a produção de biocombustíveis está pressionando os preços alimentícios e afetando o meio ambiente.

As autoridades energéticas da União Européia também recuaram das polêmicas metas para 2020 ao se reunirem no sábado em Paris. Argumentaram que há outras fontes renováveis de combustíveis para transportes além dos biocombustíveis.

De acordo com um documento confidencial do Banco Mundial, citado na semana passada pelo jornal britânico The Guardian, o cultivo de lavouras para a produção de biocombustíveis contribuiu para um aumento de até 75 por cento nos preços globais de alimentos.

'Há tantas evidências sobre os impactos negativos dos biocombustíveis que o estabelecimento de metas compulsórias parece ser exorbitante', disse Phil Bloomer, da ONG Oxfam.

'Entretanto, foi o que o Reino Unido fez, transmitindo dessa maneira um sinal aos mercados e ao setor privado de que a demanda chegou para ficar, e mantendo os preços [alimentícios] elevados. A UE não deve seguir o exemplo.'

Atualmente, a Grã-Bretanha exige dos distribuidores de combustíveis que até 2010 incluam 10 por cento de fontes renováveis em seus produtos.

Brown defende há meses uma ação global contra os preços dos alimentos, e em abril apresentou algumas propostas numa carta ao seu colega japonês, Yasuo Fukuda, anfitrião da cúpula do G8 nesta semana.

Como parte do seu plano, Brown defende que o G8 estabeleça novos parâmetros para a produção sustentável de biocombustíveis, segundo resumo apresentado pelo governo.

Ele também sugere a criação de uma nova comissão científica -- espelhada no grupo climático da ONU que recebeu o Nobel da Paz em 2007 -- para monitorar a oferta mundial de alimentos e alertar para a iminência de crises.

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