Atividades de grupos como Greenpeace e Peta foram classificadas como "terrorismo doméstico"

O FBI (polícia federal americana) cometeu "excessos" e abusou de sua autoridade ao investigar os grupos de ativistas de esquerda após os atentados do 11 de Setembro de 2001, segundo relatório divulgado na segunda-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Segundo o documento, o FBI enganou o Congresso sobre suas ações.

Ativistas do Peta, fantasiadas como aninais, fazem protesto silencioso durante Fashion Week de Nova York. Grupo foi investigado pelo FBI
AP
Ativistas do Peta, fantasiadas como aninais, fazem protesto silencioso durante Fashion Week de Nova York. Grupo foi investigado pelo FBI
O relatório, requisitado pelo Congresso há quatro anos e assinado pelo Inspetor-Geral de Justiça, Glenn A. Fine, critica o FBI por ter qualificado indevidamente como "casos de terrorismo doméstico" as atividades de vários grupos entre 2001 e 2006, entre eles o Greenpeace, Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e o pacifista Thomas Merton Center.

De acordo com o relatório, o FBI não tinha provas suficientes para taxar as atividades como terroristas, e usava como base "crimes potenciais", como invasão de domicílios e vandalismo, "que podiam ter sido qualificados de outra forma".

Além disso, o FBI "fez declarações falsas e enganosas ao Congresso dos Estados Unidos" sobre essas investigações, segundo o relatório, que orienta a realização de uma investigação interna e recomenda a consideração da necessidade de algum tipo de ação "administrativa ou de outro tipo".

O Departamento de Justiça ressalta, no entanto, que o FBI não foi responsável por espionagem em base em motivos políticos, afirmando que os excessos foram cometidos em uma série de casos específicos, e não como um ataque à atividade habitual dos grupos.

"A evidência não indica que o FBI dirigiu nenhum dos grupos de investigação com base em atividades da Primeira Emenda ou crenças de expressão política."

No entanto, o documento de 209 páginas conclui que, "em vários casos, a justificativa das investigações do FBI era frágil e, em vários outros, havia pouca indicação de possível crime federal, e sim de crimes locais".

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) afirmou que o relatório demonstra que o FBI "espionou indevidamente ativistas americanos que participam em atividades protegidas pela Primeira Emenda e tergiversou desobediência civil não violenta por terrorismo".

*Com EFE e AFP

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