Relator da ONU pede ajuda internacional para apurar torturas no Irã

Viena, 14 ago (EFE).- O relator especial da ONU para Tortura, o austríaco Manfred Nowak, espera que aumente a pressão internacional para que o Irã autorize sua visita ao país, de forma que consiga verificar a situação dos detidos em prisões iranianas, após sérias acusações de sistemática tortura contra os opositores ao Governo.

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Nowak fez as declarações à rádio pública austríaca "ORF", depois que ele e outros dois relatores especiais da ONU expressaram nesta quinta em Genebra sua preocupação com os supostos maus-tratos aos detidos iranianos.

"Acho que são muitos os 'casos individuais' para vê-los como tais. Isto é metódico. Realmente temo que aqui se ataquem decididamente opositores do Governo, tanto estudantes quanto seguidores dos partidos da oposição e jornalistas", disse o especialista.

Ele explicou que foi contatado tanto por pessoas liberadas após ser detidas por protestar contra os resultados das eleições de 12 de junho quanto por advogados e parentes de outros opositores ainda presos, que denunciaram maus-tratos.

Segundo as acusações, os golpes, as violações e outras torturas estão em dia.

Após estudar a credibilidade de cada caso, o relator considera muito fundamentada a suspeita de que nas prisões iranianas ocorre tortura de forma sistemática, com o fim de obter confissões para os processos judiciais que correm abertos ao público.

Nowak afirma que o objetivo destes métodos é amedrontar os opositores ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que mantêm sua pressão para que renuncie desde as últimas eleições, ao considerar que a vitória do líder não foi válida.

O relator internacional disse não ter como confirmar ou desmentir as graves acusações de Mehdi Karroubi, um dos adversários de Ahmadinejad nas eleições, que afirmou que há casos de mortes por tortura nas prisões iranianas.

Até o momento, os especialistas da ONU não conseguiram permissão das autoridades iranianas para viajar ao Irã e verificar os fatos, e esperam agora que a comunidade internacional reforce sua pressão sobre Teerã para conseguir isso. EFE wr/db

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