Relator da ONU para Mianmar diz que Polícia matou entre 30 e 40 detentos

Genebra, 9 jun (EFE).- O relator especial da ONU para os direitos humanos em Mianmar, o argentino Tomás Ojea Quintana, disse hoje que, no mês passado, entre 30 e 40 presos morreram atingidos por tiros da Polícia em uma prisão de Yangun.

EFE |

Ojea Quintana, que substituiu no cargo o brasileiro Paulo Sergio Pinheiro, também denunciou que, na semana passada, um famoso ator birmanês foi detido por ajudar as vítimas do ciclone "Nargis", que atingiu o país em 2 de maio.

Em entrevista coletiva, ao apresentar detalhes do relatório apresentado sexta-feira ao Conselho de Direitos Humanos, o diplomata acrescentou que, no caso dos presos mortos, eles "não tentavam escapar (quando foram alvejados), mas apenas salvar suas vidas", já que o "Nargis" causara grandes danos à penitenciária.

"Pedi ao Governo birmanês que investigue esse assunto, mas até o momento não recebi nada", afirmou o relator.

Segundo o documento, depois que o teto da prisão foi arrancado, cerca de 1.000 presos foram obrigados a se juntar no principal salão da prisão, que foi fechado com uma chave. Os detentos entraram em pânico e as autoridades chamaram o Batalhão de Choque, que abriu fogo contra o grupo.

Ojea afirmou hoje que, desde que assumiu o posto de relator para Mianmar, em 1º de maio, "já aconteceram vários incidentes com implicações nos direitos humanos".

Dentre os mais graves, citou o que envolveu o famoso ator birmanês Zarganar, detido em 4 de junho "por ter liderado um grupo que se ocupava de ajudar vítimas do ciclone".

Segundo as informações recebidas pelo relator, sete policiais chegaram à casa do ator por volta das 20h (hora local) do último dia 4 e, após revistarem a propriedade, o levaram preso, sem que até o momento haja notícias sobre seu paradeiro.

"Não sei onde ele se encontra", afirmou Ojea, segundo quem o grupo de ajuda era integrado por outros artistas e personalidades do mundo da cultura.

O diplomata disse ainda que não obteve resposta da Junta Militar que governa Mianmar a seu pedido para visitar o país e verificar "in loco" a situação dos direitos humanos. EFE vh/sc

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