Relator da ONU diz que scanners corporais violam direitos humanos

Genebra, 9 mar (EFE).- A utilização de scanners corporais nos aeroportos para combater o terrorismo pode representar muito facilmente uma violação dos direitos humanos, disse hoje o relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para a proteção dos Direitos Humanos na luta antiterrorista, Martin Scheinin.

EFE |

Por um lado, afirmou o especialista durante entrevista coletiva em Genebra (Suíça), a análise feita com o uso desses equipamentos "viola os direitos humanos de qualquer um, mas há casos particulares, como o das mulheres, algumas religiões ou contextos culturais que agravam o fato de que os tais scanners revelam os detalhes mais íntimos do corpo humano".

Além disso, acrescentou, tal tecnologia "surgiu mais como resposta política ao pânico criado pela tentativa de ataque terrorista no Natal, em um voo entre Amsterdã e Detroit, e ao clima criado pela imprensa, do que quanto à elaboração de medidas de segurança autênticas".

Na opinião de Scheinin, os scanners corporais são, além disso, "ineficazes" para detectar certos explosivos, como pequenas quantidades de um tipo plástico que pode ser escondido em cavidades do corpo ou na bagagem de mão.

"Nesse caso são os piores, porque dão uma sensação falsa de segurança e permitem que os terroristas adaptem suas táticas", ressaltou o especialista.

Para Scheinin, os scanners só seriam admissíveis para lutar contra o terrorismo se fossem incorporadas algumas soluções tecnológicas, entre elas "que não sejam armazenadas as imagens tomadas e que nenhuma pessoa veja as imagens originais".

O relator da ONU disse ainda que a solução para o problema deveria passar por outras opções tecnológicas, cujo foco não esteja na pessoa, seguindo o princípio de "não buscar o terrorista, mas a bomba". EFE.

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