Relator da ONU diz que Israel violou Convenção de Genebra em Gaza

Genebra, 23 mar (EFE).- O relator especial da ONU para os territórios palestinos, Richard Falk, afirmou hoje que existem provas abundantes de que Israel violou gravemente a Convenção de Genebra em sua recente ofensiva contra a Faixa de Gaza, e disse que os militares israelenses atuaram com ânsia de vingança.

EFE |

Falk destacou a violação do Protocolo Adicional I de tal tratado, o qual "constitui o instrumento legal mais global de delimitação das obrigações dos combatentes para proteger a sociedade civil sob condições bélicas" e que, segundo ele, "é obrigatório para todos os Estados".

O relator apresentou hoje ao Conselho de Direitos Humanos da ONU seu relatório sobre a recente ofensiva israelense ocorrida entre dezembro e janeiro passados.

O documento conclui que há indícios legais de que Israel cometeu crimes de guerra e pede que estes sejam investigados.

Em seu relatório, Falk diz que a maneira com a qual Israel usou a força contra a Faixa de Gaza entre 28 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009 não estava legalmente justificada.

O relator também destaca o fato de que, durante todos os dias de ataques, Israel impediu os palestinos de saírem da faixa para buscar refúgio, incluindo crianças, mulheres e doentes.

Em discurso hoje diante do Conselho, o relator contou que "tudo isso deu suporte a alegações de que houve desejos de vingança contra os palestinos, o que é reforçado por diversos relatos de atos hostis como urinar ou defecar no solo de casas palestinas onde havia banheiros".

Falk acrescentou que, "no distrito de Zeytun, onde 27 membros da família Samuni foram assassinados em suas casas, os soldados israelenses deixaram mensagens de ódio dirigidas ao povo palestino, e não a seu adversário militar".

Entre tais mensagens, o relator citou as seguintes: "Morte a todos vocês", "Faça a guerra e não a paz", "Os árabes têm que morrer", "Chegará o dia em que mataremos todos os árabes", "Um bom árabe é um árabe no túmulo" e "Paz agora, entre judeus e judeus, não entre judeus e árabes".

Por fim, Richard Falk lembrou que, apesar do cessar-fogo, Israel ainda mantém o bloqueio à Faixa de Gaza. EFE vh/bba

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