Relator da ONU diz que crise econômica agravará xenofobia

Madri, 12 set (EFE).- O relator da ONU para os Direitos Humanos dos Migrantes, Jorge Bustamante, considera as crises econômicas como um fator que pode gerar o aumento da xenofobia, embora tenha ressaltado que a realidade dos imigrantes ilegais permanecerá a mesma.

EFE |

Em uma entrevista à Agência Efe em Madri, onde presencia o 3º Fórum Social das Migrações, Bustamante afirmou que os imigrantes irregulares, "se sobreviveram deste modo, pensam que podem permanecer fazendo isso", embora aumentassem as dificuldades que devem enfrentar.

O representante das Nações Unidas alertou, no entanto, que a insegurança econômica pode provocar um aumento da xenofobia e do sentimento antimigratório.

"A síndrome nos países de alta imigração é que os migrantes são o bode expiatório da crise, e por isso aumenta a animosidade contra eles", defendeu.

Ele ressaltou que o "ódio em relação ao estrangeiro" é algo que já ocorreu em muitos países com conseqüências violentas, como na Alemanha, na França e na Espanha.

"Esse tipo de xenofobia não acontece por geração espontânea, mas tem motivações sociais", apontou.

O relator das Nações Unidas assinalou que eventos como o Fórum das Migrações servirão para defender os direitos dos migrantes em um mundo "cada vez mais globalizado".

Referindo-se à livre circulação de pessoas e ao "passaporte universal", promovido pela secretária Nacional do Migrante do Equador, Lorena Escudero, ele disse que se trata de "uma utopia", "um ideal".

"Não deixaria de estar no nível do desejo, embora seja bom promover sua discussão. De fato, historicamente, o mundo foi se abrindo", comentou.

Bustamante defendeu, no entanto, que "não se deve alimentar as falsas esperanças", já que "não seria saudável que os imigrantes fossem aos escritórios pensado que é algo que pode ser solicitado de imediato". EFE ajs/bm/rr

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