Relator da ONU diz que crise de alimentos não é desastre natural

Genebra, 22 mai (EFE) - O relator especial da ONU para o direito à Alimentação, Olivier De Schutter, disse hoje que a atual crise de alimentos mundial não é um desastre natural, mas sim uma violação dos direitos humanos.

EFE |

De Schutter substituiu no posto de relator há apenas três semanas o sociólogo suíço Jean Ziegler.

O emissário da ONU disse que os Estados devem enviar a mensagem de que "a crise global dos alimentos não deve ser tratada como um desastre sem precedentes, mas como uma ameaça em massa ao direito a uma alimentação adequada para milhões de indivíduos".

O relator falou sobre as principais causas que, em sua opinião, provocaram a grave crise e que, segundo a ONU, agravará as condições de vida de 854 milhões de pessoas que se encontram em situação de insegurança alimentícia no mundo.

A maior parte das pessoas - 60% delas - está na África Subsaariana e no Sul da Ásia, e ainda é necessário somar a este número mais dois bilhões de pessoas que sofrem de desnutrição devido a falta de vitaminas e minerais.

O relator responsabilizou pelo problema as "políticas que estão em prática atualmente", entre elas os acordos de comércio "legitimados pela Organização Mundial do Comércio (OMC)", que batem na agricultura dos países em desenvolvimento com os subsídios que recebem os produtores do Norte.

"Devido ao efeito combinado do brusco aumento dos preços do petróleo e da proteção dos direitos da propriedade intelectual dos produtores de sementes, adubos e pesticidas, os preços destes dispararam", ressaltou De Schutter.

"Enquanto o lucro destas empresas cresceu significativamente, os pequenos agricultores lutam para preparar a próxima colheita", acrescentou.

De Schutter também se referiu aos biocombustíveis, que, segundo ele, foram um dos principais fatores para aumentar os preços dos alimentos e produtos básicos.

Também criticou o objetivo da União Européia (UE) de que o transporte utilize até 10% de biocombustíveis em 2020.

A especulação e a falta de infra-estruturas nas zonas rurais dos países em desenvolvimento também foram citadas pelo relator, que afirmou que "os fundos soberanos devem investir em agricultura, especialmente na África", tal como sugeriu recentemente o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

A sessão extraordinária foi convocada a pedido dos Não-Alinhados e dos países árabes e islâmicos, e foi apoiada por 41 dos 47 países-membros. EFE vh/fh/db

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