Relator da ONU denuncia ataques de tropas não identificadas no Afeganistão

Cabul, 5 mai (EFE).- O relator especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, Philip Alston, denunciou hoje a participação de tropas internacionais não identificadas em ataques que causaram inúmeras baixas civis no Afeganistão.

EFE |

Após uma visita de inspeção ao país, o australiano Alston concluiu que "não há razão para duvidar de que pelo menos algumas dessas unidades são dirigidas por pessoal que pertence a serviços internacionais de inteligência".

Em entrevista coletiva em Cabul, o relator da ONU se referiu concretamente a bombardeios conjuntos das forças internacionais e afegãs nas províncias de Kandahar e Nangarhar, e se queixou da falta de transparência das tropas estrangeiras em sua cadeia de comando.

Em um relatório que apresentou à imprensa, Alston tachou de "inaceitável" que forças internacionais e afegãs fortemente armadas "levem a cabo perigosos bombardeios que freqüentemente provocam vítimas mortais, sem que ninguém assuma a responsabilidade por eles".

Segundo Alston, as forças militares internacionais mataram 200 civis, freqüentemente em operações conjuntas com as forças de segurança afegãs, nos quatro primeiros meses deste ano.

A maioria das vítimas morreu em bombardeios aéreos, disse, acrescentando que os ataques que mais causam inquietação são os realizados durante a noite, de surpresa ou contra pessoas confundidas com possíveis agressores.

"Há inúmeros ataques pelos quais nenhum comando estatal ou militar parece disposto a assumir responsabilidade", condenou.

Ele fez referência a outros casos registrados tanto em Kandahar quanto em Nangarhar, nos quais participaram tropas internacionais cujas identidades não foram "completamente esclarecidas".

Tanto a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), sob comando da Otan, quanto as tropas americanas destacadas no Afeganistão negaram em mais de uma ocasião envolvimento em bombardeios com mortes de civis.

Alston pediu às forças militares que não sacrifiquem os direitos humanos dos afegãos por conceitos como estabilidade ou segurança.

Em seu relatório, o relator acusou também a Polícia e as milícias governamentais afegãs, os talibãs e outros grupos insurgentes pela morte de civis.

"À revelia de uma ação urgente por parte de todos, nos próximos meses e anos veremos muitos mais civis morrendo ilegalmente", lamentou.

Cerca de mil pessoas morreram no Afeganistão este ano vítimas da violência. EFE lo/gs

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