Relações sexuais são principal causa de transmissão da aids na África

Helen Cook Johanesburgo, 2 ago (EFE).- Quase dois milhões de pessoas morreram por causa de doenças relacionadas com a aids desde seu descobrimento na África, uma região na qual as relações sexuais, muitas vezes forçadas, são a principal causa de transmissão, segundo números oficiais.

EFE |

Cerca de 5,5 milhões de pessoas, 18,3% da população adulta, estão infectadas pelo vírus do HIV na África do Sul, a maior proporção do mundo depois da Suazilândia, onde chega a mais de 23%, segundo a Unaids.

O organismo indica que a África Subsaariana é a região do mundo onde o HIV mais se propagou, e cita como exemplo Moçambique, onde mais de 16% dos adultos são portadores do vírus. No entanto, acrescenta que em alguns países do continente a difusão se estabilizou ou até mesmo retrocedeu.

O Quênia é um exemplo desse retrocesso: o número de infectados caiu de 14%, em meados da década passada, para 5%, em 2006, devido à mudança de hábitos sexuais, segundo o Conselho Nacional para o Controle da Aids.

A porcentagem de infectados também caiu em Uganda, Burundi, Ruanda, Tanzânia, Burkina Fasso, Costa do Marfim e Mali, o que representa uma mensagem de esperança para o continente.

A África do Sul tem um dos maiores índices de criminalidade do mundo, e foram registrados mais de 55 mil estupros por ano no país, uma média de 150 ao dia, segundo as autoridades locais.

Angie Botha, coordenadora de uma ONG dedicada a atenuar os efeitos da aids entre os moradores do empobrecido subúrbio de Reiger Park, no sudeste de Johanesburgo, disse à Agência Efe que recebia pelo menos quatro casos de estupros por semana.

No entanto, afirmou que "praticamente não há ocorrências de violência sexual desde que os imigrantes fugiram por causa da onda de ataques xenófobos, em maio, em Johanesburgo".

Botha indicou os imigrantes, que agora se encontram em sua maioria em campos de refugiados, como supostos autores de muitos dos estupros nessa região.

Segundo a coordenadora, o desconhecimento da doença não é o principal fator que leva a África do Sul a ter um maior número de infectados, pois mais de 85% das mulheres e de 80% dos homens dizem saber que a contaminação pode ser evitada com o uso de preservativos e limitando sua vida sexual a um parceiro não contaminado.

"As pessoas conhecem a doença, mas não querem falar dela", acrescentou.

Prescilla, de 41 anos, foi infectada pelo HIV. Seu marido, que morreu de aids há quatro anos, foi quem lhe transmitiu a doença, há quase 15.

"Fui infectada porque meu marido começou a manter relações sexuais com outras mulheres", disse à Efe Prescilla, que esclareceu que mantinha relações sem proteção com o esposo porque confiava nele.

Prescilla soube de sua condição de soropositiva quando uma série crise de tosse a levou ao hospital: "Quando me disseram não fiquei assustada nem tive medo, porque nem sabia o que significava o HIV, e o que mais me afetou foi que as pessoas não queriam sequer se sentar a meu lado".

Botha disse que "as coisas mudaram muito nos últimos anos, porque agora a sociedade aceita mais a doença, embora o processo seja muito lento".

Ela disse ainda que, em algumas ocasiões, os infectados "ficam enfurecidos ao saber que têm a doença e infectam outras pessoas porque alguém lhes infectou".

As infecções propositais são algo que as organizações dedicadas a reduzir o impacto do HIV não podem controlar, já que as leis sul-africanas proíbem que as ONGs informem à população quem é soropositivo.

Nos anos 90, quando Prescilla foi infectada, a população não contava com a ajuda dos serviços sociais do Governo, mas agora ela é uma das diversas pessoas que recebem uma pensão especial para estes doentes.

Agora, afirma que os 65 euros que recebe por mês mudaram sua vida: "Antes me preocupava muito, porque via que estava doente e que não tinha comida para dar aos meus filhos, mas agora estou bem".

No entanto, reclama que a ajuda financeira é a única que melhorou na África do Sul após o "apartheid", pois, "antes não havia tanta delinqüência e estávamos muito mais seguros". EFE hc/mh

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