Relações de Morales com EUA passam por outro momento crítico

La Paz, 16 jun (EFE) - As complicadas relações entre Bolívia e Estados Unidos chegaram hoje a um momento crítico com o anúncio de Washington de que convocou para conversas seu embaixador em La Paz, Philip Goldberg. Abaixo uma cronologia dos principais eventos que marcaram a relação bilateral desde que o líder indígena Evo Morales chegou ao poder: 2005 18 de dezembro: O índio aimara Evo Morales, à frente do Movimento ao Socialismo (MAS), vence as eleições gerais na Bolívia, ao obter 53,7% dos votos. 2006 3 de janeiro: Os Estados Unidos oferecem sua colaboração ao novo Governo da Bolívia, mas a atrela às políticas de Morales e a seus vínculos com outros países. - Morales anuncia na Venezuela que se junta a este país e a Cuba na luta antineoliberal e antiimperialista. 12 de janeiro: Um comando militar assegura que os Estados Unidos desativaram 30 mísseis do Exército boliviano em outubro de 2005 perante o iminente triunfo eleitoral de Morales, que anuncia que processará os responsáveis. 22 de janeiro: Morales é empossado como presidente da Bolívia e os EUA o convidam a dialogar para construir uma agenda comum. 13 de fevereiro: O presidente boliviano pede publicamente a George W. Bush que expulse dos EUA o ex-líder Gonzalo Sánchez de Lozada, para que esse seja julgado na Bolívia.

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25 de abril: Os EUA advertem de que a Bolívia está em risco de ter uma produção "explosiva" de coca e de cocaína.

16 de maio: O presidente da Bolívia denuncia que multinacionais e a embaixada dos EUA tentam causar problemas econômicos e sociais em seu país.

20 de junho: Morales anuncia que pedirá contas aos EUA pela suposta entrada no país de militares americanos "disfarçados" de estudantes e turistas.

4 de julho: Washington dá seu respaldo ao novo embaixador boliviano nesse país, o jornalista Gustavo Guzmán.

12 de setembro: Evo Morales denuncia na Guatemala um "complô" dos EUA contra si.

29 de setembro: Chega a La Paz o novo embaixador dos EUA na Bolívia, Philip Goldberg.

18 de outubro: Goldberg ressalta que a denúncia de uma conspiração de seu país contra Morales não tem fundamento.

24 de outubro: Morales pede que os Estados Unidos retirem suas tropas do Iraque.

2007 1º de janeiro: O governante boliviano aprova um decreto para exigir aos americanos um visto de entrada similar ao aplicado pelos EUA a seus cidadãos.

7 de janeiro: A Bolívia pede aos EUA que respaldem seu plano para erradicar a produção de cocaína, que também prevê aumentar o cultivo legal de folha de coca de 12 mil a 20 mil hectares.

24 de maio: Morales ratifica que seu Governo não assinará um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com os EUA nem com outros países, porque quer impulsionar acordos "justos" que beneficiem pequenos produtores.

24 de julho: Um diplomata dos EUA é descoberto no aeroporto de La Paz quando tentava viajar com 37 armas do século XIX.

26 de agosto: A Bolívia acusa os EUA de financiar grupos de ideólogos opositores e ex-funcionários de administrações anteriores, mas a embaixada desse país assegura que sua cooperação é "apolítica" e "transparente".

22 de setembro: Os EUA transmitem à Bolívia sua preocupação com a relação com o Irã e o programa nuclear iraniano.

26 de setembro: Morales diz em Nova York que a comunidade internacional deveria pensar na "possibilidade de mudar a sede da ONU", depois dos "insultos" recebidos pelo "dono da casa", ao se referir a Bush.

3 de outubro: Goldberg afirma que não "estranharia" se a Bolívia também quisesse mudar "a sede da Disney".

8 de outubro: Morales assegura que a futura Constituição boliviana não permitirá a instalação de bases militares dos EUA.

18 de outubro: O presidente boliviano exige que os EUA detenham a "conspiração" contra si, que, segundo ele, é liderada por Goldberg em La Paz.

2008 23 de janeiro: Um tribunal boliviano condena a 30 anos de prisão o americano Lestat Claudius de Orleans y Montevideo, que, em março de 2006, colocou bombas em dois hotéis de La Paz, matando duas pessoas.

7 de fevereiro: O Governo boliviano pede aos EUA para cumprir a prorrogação das preferências tarifárias concedidas pela luta antidroga, ao indicar que "cumpriu" a "racionalização" das plantações de coca.

10 de fevereiro: A Bolívia acusa a embaixada dos EUA de espionagem, após uma denúncia formulada por um estagiário americano em La Paz.

15 de fevereiro: Morales acusa a agência de cooperação americana USAID de oferecer dinheiro a ONGs em troca de que organizem mobilizações contra seu Governo.

26 de fevereiro: Goldberg nega que seu país financie grupos opositores na Bolívia.

5 de junho: O ex-ministro da Bolívia Carlos Sánchez Berzaín, sobre o qual pesa uma acusação de genocídio, revela que tem a condição de asilado político nos Estados Unidos. O Governo boliviano critica essa decisão e pede explicações a Goldberg.

9 de junho: Milhares de moradores de El Alto, considerada um "reduto" de Morales, se manifestam com pedras, paus e explosivos perante a Embaixada dos EUA em La Paz contra o asilo político a Sánchez Berzaín. A Polícia dispersa os ativistas com bombas de gás lacrimogêneo.

10 de junho: O Governo boliviano substitui o comandante departamental da Polícia de La Paz, coronel Víctor Hugo Escóbar, por reprimir a manifestação contra a embaixada dos EUA.

16 de junho: Os EUA chamam para conversas Goldberg após o violento protesto contra sua delegação. EFE sam/db

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