Relação entre Peru e Bolívia piora após críticas de García a Morales

Lima, 1 jul (EFE).- O presidente do Peru, Alan García, exigiu hoje que seu colega boliviano, Evo Morales, não interfira nos assuntos internos de seu país e esclareceu que os Estados Unidos não têm bases militares em território peruano.

EFE |

"Seria preciso dizer como (o rei) Juan Carlos da Espanha. Por que não se cala? Meta-se em seu país e não se meta no meu (...), tenha cuidado com as conseqüências do que está fazendo", disse um irado García a jornalistas, ao falar do presidente boliviano.

O mal-estar do líder responde a declarações de Morales, nas quais afirmou que Washington "está levando suas bases militares ao Peru" e convocou os peruanos a "expulsá-los" de seu território, após parabenizar a decisão do Equador de não permitir a continuidade destas instalações no país.

Estes comentários motivaram o Peru consultar seu embaixador na Bolívia, Fernando Rojas, já que aumentou a tensão entre Lima e La Paz, cujas posições são opostas em torno das negociações para um Acordo de Associação e Cooperação com a União Européia (UE).

Ao enfatizar que "não quer as desculpas de ninguém", García assegurou hoje que as afirmações de Morales se baseiam em "grosseiras mentiras e manipulações", e lhe pediu a seu colega que "diga onde está a base".

Lima e Washington reiteraram que os EUA não têm intenção de instalar ou transferir ao território peruano a base militar existente em Manta (Equador), que os americanos deverão abandonar em 2009.

Um porta-voz da embaixada dos EUA em Lima disse à Agência Efe que Washington "não tem planos de estabelecer uma base militar no Peru", ao esclarecer que só ajudará, no marco de um programa de cooperação, "a melhorar uma instalação militar peruana" na região de Ayacucho.

A confusão sobre a suposta instalação da base americana no Peru foi criada depois de o comandante general do Exército peruano, Edwin Donayre, dizer há duas semanas que as Forças Armadas do país andino estavam "em conversas" para construir um aeroporto em Pichari, explicou uma fonte oficial à Agência Efe.

Por outro lado, o governante peruano alertou que um hipotético apoio de Morales a uma greve nacional convocada pelos sindicatos para 9 de julho no Peru lhe parece "repulsivo" e "é um tema de se denunciar internacionalmente".

O presidente da Bolívia, Evo Morales, considerou hoje que seu colega do Peru, Alan García, é "antidemocrático" por tê-lo mandado se "calar" devido às suas denúncias sobre a mudança de bases militares dos EUA para o território peruano.

"Acabamos de receber uma mensagem do Peru onde (García) manda me calar. Acho que em um presidente que isto é antidemocrático, não escuta o diálogo, não escuta o povo", disse em entrevista coletiva, ao concluir a cúpula do Mercosul na cidade argentina de Tucumán.

Morales disse que lamenta "muito" a reação de García, que lhe pediu hoje para não se intrometer em seus assuntos internos e lhe esclareceu enfaticamente que os EUA não têm nenhuma base no Peru.

"A soberba monárquica é um vício que não se deve copiar, é algo que vem da época colonial que ficou para trás", disse o presidente boliviano, que reafirmou que não suavizará suas denúncias de "intromissão militar" dos EUA "em nossa região".

Em sua chegada a Lima, o embaixador peruano em La Paz, Fernando Rojas, admitiu que as relações com a Bolívia "estão deterioradas", embora tenha defendido que se aborde o assunto "com sentido construtivo".

Já o vice-chanceler boliviano, Hugo Fernández, afirmou hoje que Morales não teve intenção de se intrometer em assuntos peruanos e expressou o interesse de seu Governo "de melhorar as relações com o Peru, se foram deterioradas por um mau entendimento". EFE wat/rb/plc

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