Caracas, 12 set (EFE) - As já tensas relações entre Caracas e Washington sofreram um repentino resfriamento com a expulsão, por parte do presidente venezuelano, Hugo Chávez, do embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, Patrick Duddy, em meio a denúncias de complô e a críticas da oposição às suas ações. O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, notificou hoje oficialmente a decisão de Chávez ao ler uma declaração do Governo na qual o embaixador Patrick Duddy teria 72 horas para sair do país, em um prazo que se iniciou às 19h15 de quinta-feira (20h45 Brasília). No entanto, Duddy não estava na Venezuela, já que viajou para os EUA há poucos dias, disse à Agência Efe a assessora de imprensa da embaixada americana em Caracas, Robin Holzhauer, que não deu detalhes sobre os motivos da viagem. Na nota oficial, o Governo venezuelano culpa o presidente dos EUA, George W. Bush, de ser o único responsável pela deterioração das relações de Washington com toda a região latino-americana e caribenha e diz que vai avaliar toda sua relação bilateral.

O comunicado declara que a atual crise entre os Estados Unidos e alguns países latino-americanos é conseqüência "da permanente e aberta conspiração" de membros do Governo americano "contra os processos democráticos" na região.

Em seu breve discurso para ler o comunicado oficial, Maduro não fez qualquer comentário sobre os anúncios feitos hoje pelo Governo dos EUA, que acusou o ex-ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, e dois altos funcionários venezuelanos de ajudar a guerrilha colombiana em operações de narcotráfico.

Washington anunciou também a expulsão do embaixador venezuelano, Bernardo Álvarez, cujo retorno a Caracas foi ordenado na quinta-feira por Chávez, após exigir a saída do representante diplomático dos EUA, em "solidariedade" para com a Bolívia.

A notícia da expulsão do embaixador americano, capa hoje de todos os veículos de comunicação venezuelanos, gerou críticas da oposição, que já tinha qualificado na quinta-feira de "cortina de fumaça" as denúncias de suposta conspiração divulgada pela imprensa favorável ao Governo.

Em entrevista coletiva hoje em Caracas, o líder opositor Manuel Rosales criticou os anúncios feitos pelo presidente venezuelano, a quem recomendou "se acalmar" e "dedicar-se a governar".

Rosales, governador do estado de Zulia e candidato à Prefeitura de sua capital, Maracaibo, nas eleições regionais de novembro, disse que "não existe uma só evidência dos planos de magnicídio" e assegurou que a oposição está "buscando uma saída democrática e cívica".

"Chávez, se acalme, respeite o povo da Venezuela, diminua o volume das obscenidades, deixe de colocar o país em situação ridícula perante o mundo", disse Rosales, ex-candidato presidencial nas eleições de dezembro de 2006.

Considerou ainda que "talvez o mapa das estatísticas eleitorais o deixem nervoso", em alusão às eleições de novembro, e criticou a decisão de expulsar o embaixador dos EUA, país que é um dos cinco principais abastecidos por petróleo pela Venezuela e com o qual tem importantes trocas comerciais.

Outros representantes da oposição desprezaram também as acusações de suposta conspiração, entre eles o partido Copei, segundo o qual o Governo quer desviar a atenção de outros assuntos, como o "caso da mala".

"O Governo procura diminuir a atenção que existe em torno do julgamento" em Miami (EUA) "pelo caso dos US$ 800 mil que foram enviados no ano passado da Venezuela para a Argentina", e que, segundo as acusações, teriam sido destinados a apoiar a campanha de Cristina Fernández de Kirchner à Presidência.

Em sucessivos discursos na quinta-feira, Chávez reiterou suas denúncias de suposto complô e anunciou a detenção de várias pessoas supostamente relacionadas com esses planos.

Vários militares foram detidos e estão sendo interrogados em relação à suposta conspiração que foi divulgada na quarta-feira à noite pelo apresentador Mario Silva em seu programa "La Hojilla", da estatal "Venezolana de Televisión".

No programa, Silva, que é também candidato oficial a governador nas eleições de novembro, apresentou um vídeo no qual são escutadas conversas entre supostos militares que falam em "tomar" o palácio presidencial.

Silva compareceu hoje, assim como altos comandantes militares, perante uma comissão da Assembléia Nacional que investiga o caso.

EFE eb/bm/db

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