Rejeitado na França projeto sobre organismos geneticamente modificados

Paris, 13 mai (EFE).- A rejeição imprevista do projeto de lei sobre os organismos geneticamente modificados (OGM) na Câmara dos Deputados, por causa de uma moção de procedimento, representou hoje um grande revés ao conservador Governo francês, que decidiu recorrer a uma cláusula da Constituição para resgatar o texto.

EFE |

A moção de procedimento, apresentada por um deputado comunista, foi adotada por 136 votos a favor e 135 contra, o que significou a derrota do projeto de lei sobre os OGM.

O resultado da votação foi fruto da presença insuficiente no plenário de deputados do partido conservador governante do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e à abstenção de um legislador da União por um Movimento Popular (UMP) e de outro de seu aliado, o Novo Centro.

Dos 316 membros da governante UMP na câmara, só 130 estavam presentes no momento da votação.

Os 136 deputados socialistas, comunistas e verdes apoiaram a moção de procedimento, apresentada antes do que deveria ser o debate prévio ao voto sobre o texto em segunda leitura.

O inesperado anúncio ocorreu sob aplausos de legisladores de esquerda e de ambientalistas presentes nas arquibancadas do público, incluído o líder antiglobalização José Bové, que teve muitos problemas com a Justiça pela destruição de parcelas de OGM.

Fora do plenário, houve manifestações de alegria de ativistas contrários aos organismos geneticamente modificados.

"O Governo foi derrotado clara e ingenuamente em um tema que preocupa os franceses. Quando se quer desprezar a oposição, alguém acaba pagando por isso. É o que acaba de ocorrer", disse o chefe do grupo socialista na câmara, Jean-Marc Ayrault.

Um de seus colegas verdes, Noël Mamère, afirmou que o Governo teria que revisar o texto e voltar com outro que "respeite" os compromissos do debate nacional sobre o meio ambiente.

No entanto, o primeiro-ministro francês, François Fillon, anunciou imediatamente a convocação de uma comissão paritária, composta de membros das duas câmaras do Parlamento, para acordar a versão definitiva do texto.

O Governo indicou que pedirá à comissão que volte ao texto adotado em segunda leitura pelo Senado.

Em resposta à convocação da comissão paritária, a oposição de esquerda pediu uma reunião com Sarkozy para solicitar que "escute" o Parlamento e que não imponha pela força o texto governamental. EFE al/db

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