Reino Unido vai se abster em votação sobre adesão palestina na ONU

Governo britânico diz que não pode votar a favor de reconhecimento de Estado palestino porque busca retomada de negociações

iG São Paulo |

AFP
Mahmoud Abbas mostra uma cópia da carta do pedido de adesão formal do Estado palestino à ONU (23/09)
O Reino Unido vai se abster na votação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o reconhecimento do Estado palestino , afirmou nesta quarta-feira o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague.

“Não votaremos contra o pedido dos líderes palestinos, mas tampouco podemos votar a favor quando nosso objetivo principal continua sendo o retorno das negociações”, afirmou Hague, em discurso no Parlamento. “Por isso, em decisão acordada com a França e nossos parceiros europeus, o Reino Unido vai se abster em qualquer votação sobre a adesão palestina à ONU.”

A declaração de Hague é feita antes de o comitê de admissões do Conselho de Segurança se pronunciar, na sexta-feira, sobre o pedido de reconhecimento do Estado palestino pela ONU, apresentado pelo presidente Mahmoud Abbas no dia 23 de setembro.

Leia também: Abbas entrega à ONU pedido de reconhecimento de Estado palestino

Um relatório preliminar feito pelo comitê, obtido pela Reuters na terça-feira, declarou que os membros podem não chegar a um consenso sobre o pedido. Segundo o documento, o comitê foi incapaz de fazer uma recomendação unânime ao Conselho de Segurança,

O rascunho do documento foi enviado a todos os 15 membros do Conselho de Segurança nesta terça-feira. A minuta de quatro páginas parece confirmar que a iniciativa palestina para se unir ao organismo mundial como membro pleno deve fracassar em razão do impasse insolúvel do conselho.

Diplomatas ocidentais disseram que a solicitação estava condenada desde o início em razão da promessa dos EUA de vetá-la caso ela fosse a votação no conselho. Os palestinos ainda podem insistir pela votação no Conselho de Segurança, mas diplomatas afirmam que não está claro se isso acontecerá. Os palestinos obteriam uma vitória moral e forçariam Washington a usar o seu veto caso fossem capazes de conseguir nove votos de apoio no conselho.

Qualquer resolução do conselho precisa de nove votos favoráveis - e nenhum veto - para ser aprovada. Diplomatas da ONU, porém, afirmam que os palestinos até agora conseguiram apenas oito votos.

A minuta detalha como o conselho está dividido em três grupos: entre os que apoiam a adesão palestina, os que não podem apoiá-la e vão, portanto, se abster, e os que acreditam que o pedido não cumpre os critérios de admissão e, então, se opõem a ela. O texto, no entanto, não identifica os países.

O relatório diz que alguns países apoiam "como um passo imediato, (que) a Assembleia Geral adote uma resolução segundo a qual os palestinos possam se tornar um país-observador".

Os palestinos já têm o status de "entidade observadora", mas sugeriram anteriormente que poderiam procurar elevar esse status para o de Estado observador e não-membro, assim como é o Vaticano. Esse maior status implicaria em um reconhecimento implícito do seu Estado.

Diplomatas afirmaram que, em encontro na semana passada, Rússia, China, Brasil, Índia, Líbano e África do Sul apoiaram o pedido palestino, os EUA se opuseram, enquanto o Reino Unido, a França e a Colômbia disseram que se absteriam se houver votação.

O Gabão e a Nigéria devem apoiar os palestinos, enquanto a Alemanha e Portugal provavelmente se absterão. Nenhum deles anunciou sua posição. A Bósnia, que também não deu nenhuma declaração sobre o assunto, deve se abster.

Os EUA e Israel afirmam que a pressão palestina para ser aceita na ONU é unilateral e procura desmerecer os diálogos para se alcançar paz na região. Abbas, colocou como condição para voltar à mesa de negociações o congelamento das construções israelenses nos territórios ocupados.

Os palestinos afirmam que essas negociações falharam em aproximá-los de um Estado independente nos territórios da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza. Eles dizem que agora é o momento de uma manobra diferente.

Com AP, AFP e Reuters

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