6 de maio nas eleições gerais mais incertas desde 1992, cujo resultado será decidido entre a continuidade que representa o primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, e a mudança geral que propõe o líder do Partido Conservador, David Cameron." / 6 de maio nas eleições gerais mais incertas desde 1992, cujo resultado será decidido entre a continuidade que representa o primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, e a mudança geral que propõe o líder do Partido Conservador, David Cameron." /

Reino Unido vai às urnas em 6 de maio nas eleições mais incertas desde 1992

LONDRES - O Reino Unido irá às urnas em http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2010/04/06/gordon+brown+convoca+eleicoes+para+6+de+maio+9449731.html6 de maio nas eleições gerais mais incertas desde 1992, cujo resultado será decidido entre a continuidade que representa o primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, e a mudança geral que propõe o líder do Partido Conservador, David Cameron.

EFE |

Se cumpridas as previsões das pesquisas sobre intenções de voto, que apontam uma briga apertada nas urnas, as eleições serão as mais disputadas desde que o conservador John Major venceu 18 anos atrás o trabalhista Neil Kinnock, contrariando as previsões.

Aquelas eleições prolongaram um período conservador no governo que perdurou por 18 anos e terminou em 1997, com a vitória de Tony Blair. Essa mesma mudança pode ser repetida dentro de um mês se Cameron, de 43 anos, conseguir se transformar no mais jovem primeiro-ministro do Reino Unido dos últimos 200 anos.

AP
Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown

Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown

O dia 6 de maio estava sendo cogitado há meses, por coincidir com as eleições locais que serão realizadas na Inglaterra. Somente nesta terça-feira, no entanto, Brown terminou com meses de especulações sobre a convocação eleitoral , após completar o trâmite de reunir-se com a rainha, que procedeu à dissolução oficial do Parlamento.

Brown compareceu ao número 10 de Downing Street (residência oficial e escritório do primeiro-ministro britânico) acompanhado de integrantes de seu governo e pediu aos 45 milhões de britânicos que serão convocados às urnas dentro de um mês que sigam confiando no Partido Trabalhista para cimentar a recuperação econômica.

Seu breve discurso deixou claro que os trabalhistas jogarão o trunfo do papel desempenhado por seu líder para fazer frente à pior recessão desde a 2ª Guerra e do temor de que uma vitória dos "tories" (conservadores) freie a aplicação dos programas de estímulo da economia atualmente em vigor e coloque em perigo a recuperação.

Brown, transformado em primeiro-ministro em 2007 ao suceder a Blair, enfrenta pela primeira vez as urnas e sua intenção é fazê-lo usando sua imagem de gerente eficaz e trabalhador, longe do brilho e do carisma de seu antecessor, mas com o diferencial de supostamente saber os dramas dos britânicos comuns por ser uma pessoa de classe média.

Frente à origem quase aristocrática de seu oponente, o primeiro-ministro lembrou que vem de uma família escocesa de classe média que o ensinou "os valores da responsabilidade e o trabalho duro", e se comprometeu a trabalhar para os que têm menos.

O líder trabalhista enfrenta a campanha eleitoral em desvantagem nas pesquisas, que o situam a uma distância entre 4 e 10 pontos porcentuais de Cameron, o que dá uma ideia sobre a incerteza do resultado final e oferece como cenário político mais provável um Parlamento sem uma maioria absoluta, algo que não ocorre desde 1974.

Brown demonstrou ser um corredor de fundo, que poderia ganhar claramente as eleições se as tivesse convocado em novembro de 2007 - quando tinha uma elevada popularidade após suceder Blair - e sobreviveu até mesmo a três tentativas dentro de seu partido para destituí-lo.

AP
David Cameron

Líder do Partido Conservador, David Cameron

David Cameron

Há menos de um ano, ele era um cadáver político, que Cameron superava em 20 pontos nas intenções de voto, mas suas possibilidades melhoraram em paralelo à recuperação econômica.

Na disputa enfrentará um líder "tory" que conseguiu devolver aos seus partidários a convicção na vitória após a "depressão" em que seu viu imerso o Novo Trabalhismo de Blair na última década.

Cameron oferece atualmente a imagem da juventude, da esperança e do entusiasmo, e encenou a mudança geral comparecendo diante da imprensa em frente à sua casa.

O líder conservador disse que essas eleições "são as mais importantes da última geração" e reiterou essa mensagem em discurso no Parlamento, no qual, parafraseando o ex-presidente americano John Fitzgerald Kennedy, pediu aos cidadãos que pensem "o que podem fazer por seu país".

A mensagem de Cameron foi de inconformismo - "não temos de suportar outros cinco anos de Gordon Brown" - e de apresentar seu partido como "uma alternativa conservadora moderna, com liderança, energia e valores, capaz de levar adiante este país".

Cameron ressaltou que trabalhará pelos cidadãos, que definiu como "os grandes ignorados: os jovens, os velhos, os ricos, os pobres, os que vivem em cidades e os que vivem no campo".

Os focos estiveram centrados em Brown e Cameron, mas também no líder do Partido Liberal-Democrata, Nick Clegg.

Clegg, cujo partido poderia obter até 20% dos votos, destacou que essas eleições são "o princípio do fim da era Gordon Brown", a quem responsabilizou "pelos maiores erros cometidos durante os últimos 13 anos".

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