Reino Unido quer usar população no combate ao terrorismo

Londres, 24 mar (EFE).- O Reino Unido vai preparar mais de 60 mil trabalhadores de diversas áreas para fazer frente à ameaça terrorista, seguindo uma nova e extensa estratégia do Governo divulgada hoje.

EFE |

Segundo a ministra do Interior do país, Jacqui Smith, "uma ampla gama de pessoas tem que estar preparada, a fim de manter a vigilância diante de uma ameaça de ataque. As pessoas devem saber o que fazer neste caso".

A nova estratégia vem a público poucos dias antes da cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e principais emergentes), que começa no próximo dia 2 em Londres, e é considerada a mais exaustiva elaborada até agora pelo Governo do Reino Unido em matéria antiterrorista.

"Não acho que enfrentar o terrorismo seja algo possível de fazer unicamente com a Polícia e as agências de segurança, apesar de o fazerem de maneira brilhante", disse Smith.

De acordo com a estratégia do Reino Unido, a qual ganhou o nome de "Contest 2" e foi elaborada no ano passado, a rede terrorista Al Qaeda pode se dividir, mas ainda há a ameaça dos que se inspiram nesta organização.

O plano ainda destaca que as armas químicas, biológicas e nucleares representam um grave perigo caso caiam nas mãos de terroristas.

Desde julho de 2007, o nível de ameaça contra o Reino Unido está na classificação "severo", o que significa que é alta a probabilidade de que haja um ataque terrorista sem advertência.

Durante a preparação deste documento, o Governo do Reino Unido avaliou os mais recentes atentados no mundo, como os ocorridos em novembro de 2008 contra vários hotéis na cidade indiana de Mumbai.

Em 2011, o Reino Unido investirá 3,5 bilhões de libras (3,95 bilhões de euros) anuais em medidas antiterroristas.

Desde 2003, o número de policiais encarregados de fazer frente a esta ameaça no país aumentou de 1.700 para os atuais três mil.

Segundo os dados divulgados hoje, o serviço de contra-espionagem MI5 duplicou seu pessoal.

A estratégia mantém a estrutura de outras elaboradas no passado, centradas em quatro áreas de trabalho: prevenir e perseguir as atividades terroristas e proteger e preparar a população.

Jacqui Smith explicou que o terrorismo não pode ser combatido exclusivamente a partir do Governo e, como exemplo, disse que gerentes de lojas de departamento e os responsáveis pela segurança desses estabelecimentos são vitais para combater a ameaça.

Segundo a ministra, o Reino Unido tem que estudar a forma como a ameaça terrorista se desenvolve, motivo pelo qual as medidas para detectar e prevenir o terrorismo devem funcionar de forma paralela.

De acordo com Smith, o plano a curto prazo é capturar os que planejam os atos terroristas e "levá-los perante o sistema judiciário".

A responsável pela pasta de Interior lembrou que também pretende "evitar que as pessoas tenham inclinação pelo terrorismo e pelo radicalismo violento. Essa é outra importante área da estratégia".

Paul Wilkinson, especialista em segurança e terrorismo bastante conhecido no Reino Unido, declarou que estes planos são "muito importantes" devido à participação cidadã.

Para Wilkinson, "uma maior participação da população é algo bom porque não há policiais e agentes dos serviços secretos suficientes para fazer frente à magnitude do problema". EFE vg/bba

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