Reino Unido nega militarização das Malvinas e rejeita discutir soberania

Governo rejeita acusações feitas na terça-feira por presidenta Cristina Kirchner, que afirmou que denunciará Reino Unido na ONU

iG São Paulo |

O governo britânico reiterou nesta quarta-feira que não fará qualquer negociação com a Argentina sobre a soberania das Ilhas Malvinas, depois de a presidenta argentina, Cristina Kirchner, ter anunciado na noite de terça-feira que apresentará um protesto na ONU pela "militarização" das Malvinas pelo Reino Unido. A presidenta disse que fará a reivindicação ao Conselho de Segurança da ONU, do qual o Reino Unido faz parte como membro permanente, e à Assembleia das Nações Unidas.

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AFP
Presidenta argentina Cristina Kirchner faz pronunciamento no Palácio do Governo em Buenos Aires (07/02)
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O Reino Unido anunciou dias atrás o envio ao Atlântico Sul de uma moderna embarcação de guerra, o destróier HMS Dauntless , equipado com mísseis antiaéreos, e na semana passada chegou às ilhas o príncipe William da Inglaterra para uma instrução militar de seis semanas.

Uma porta-voz de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, negou a acusação de "militarizar" o Atlântico Sul com o envio da embarcação de guerra. "Não estamos militarizando o Atlântico Sul. Nossa posição defensiva nas Falklands (como os britânicos chamam as Malvinas) é a mesma (de sempre)", acrescentou a porta-voz.

Em carta enviada há dez dias pelo embaixador britânico Mark Lyall Grant ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Reino Unido afirma: "A presença militar defensiva do Reino Unido nas Falkland só existe com o objetivo de defender os direitos e a liberdade dos habitantes das ilhas para determinar seu próprio futuro político, social e econômico."

De acordo com a correspondência do embaixador, o Reino Unido realiza exercícios militares de rotina com mísseis de curto alcance nas ilhas" e "segue acreditando que há muitas oportunidades de cooperação no Atlântico Sul", apesar das atitudes da Argentina em sentido contrário nos últimos anos. "O Reino Unido formulou uma série de propostas para diferentes tipos de cooperação e segue sumamente interessado em fomentar uma relação construtiva com a Argentina", acrescenta o documento.

Apesar do tom cordial da carta enviada há dez dias, a porta-voz de Downing Street disse nesta quarta-feira que o Reino Unido tem planos alternativos caso haja uma atitude agressiva em relação às ilhas, consideradas por Londres como território dependente e cuja soberania é reivindicada pela Argentina desde 1833.

Segundo a porta-voz, esses planos foram elaborados há tempos e não respondem ao recente aumento da tensão entre Reino Unido e Argentina pela disputa das Malvinas, pelas quais os dois países travaram uma guerra em 1982.

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Horas antes, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido indicou nesta quarta que os cerca de 3 mil moradores das Malvinas são "britânicos por opção" e "livres para decidir seu futuro". "Não haverá negociações com a Argentina sobre a soberania das ilhas, a menos que seus habitantes desejem", apontou o porta-voz do Foreign Office, em linha com o que já havia expressado em Nova York horas antes um porta-voz da missão britânica na ONU.

Reuters
Príncipe William se prepara para sua primeira operação nas Ilhas Malvinas (04/02)
A guerra de 1982 começou depois que os militares argentinos ocuparam as ilhas em 2 de abril daquele ano e terminou dois meses depois, em 14 de junho, com a rendição argentina. No conflito, morreram 255 britânicos, três ilhéus e 649 argentinos.

*Com EFE

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