Reino Unido não quer divulgar informações que ajudariam preso de Guantánamo

Londres, 10 set (EFE).- O Governo britânico não quis desclassificar como sigilosas algumas informações que ajudariam na defesa de um preso de Guantánamo com residência legal no Reino Unido por motivos de segurança nacional.

EFE |

O Ministério de Relações Exteriores afirmou hoje que os advogados do detido completaram a argumentação de sua recusa na última sexta perante o Tribunal Superior de Londres, que agora deve avaliar se estes argumentos são suficientes.

Caso o tribunal considere injustificada a posição oficial, poderia ordenar a divulgação forçada da informação, algo que, segundo o Executivo, "causaria um verdadeiro dano à segurança nacional do Reino Unido".

No dia 21 de agosto, o Tribunal Superior afirmou que o Governo devia considerar a desclassificação dos documentos reivindicados pelos advogados do preso, que supostamente demonstrariam que sofreu torturas.

No entanto, o Ministério de Relações Exteriores comunicou aos juízes em duas audiências posteriores - a última na sexta - que não podia fazer isto por motivos de segurança nacional.

Enquanto isto, o Governo americano anunciou que estava disposto a fazer chegar a informação em questão à comissão militar de Guantánamo, que supostamente a transferiria para os advogados do acusado, o etíope Binyam Mohammed.

"Sempre fomos da opinião de que esta informação deve estar disponível" para a defesa de Mohammed nos Estados Unidos, declarou hoje um porta-voz do Foreign Office.

"A questão não já é se a desclassificação deve acontecer, mas apenas como: através do sistema americano ou por ordem das cortes britânicas", acrescentou a fonte, que disse que o Governo de Londres considera que a segunda opção prejudicaria a segurança do país.

Binyam Mohammed, de 30 anos e que mora de forma legal no Reino Unido, enfrenta a um julgamento militar na base americana de Guantánamo (Cuba) e, caso seja declarado culpado de crimes de terrorismo, poderia ser condenado à pena de morte.

Mohammed, que está há quatro anos nesta prisão acusado de conspirar com a rede terrorista Al Qaeda para cometer atentados contra civis, afirma que os documentos do Governo britânico apóiam sua tese de que as provas apresentadas contra ele foram obtidas por meio de tortura. EFE jm/fal

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