Reino Unido indenizará parentes de vítimas de Domingo Sangrento

Repressão militar britânica deixou 13 mortos e 14 feridos na Irlanda do Norte em 1972, dando impulso ao IRA

iG São Paulo |

AP
Foto de arquivo de 30/1/1972 mostra homem recebendo atenção durante ofensiva militar em Londonderry, Irlanda do Norte, no que ficou conhecido como Domingo Sangrento
O Ministério da Defesa britânico pagará uma indenização aos parentes dos mortos e feridos do dia conhecido como "Bloody Sunday" (Domingo sangrento) da Irlanda do Norte, em 1972, um dos fatos cruciais nas décadas de conflito na província.

Em comunicado emitido nesta quinta-feira pelo ministério e divulgado pela emissora pública BBC, a Defesa reconhece "a dor das famílias durante 40 anos" e admite que membros das Forças Armadas atuaram "de maneira equivocada" no episódio.

"Estamos em contato com os advogados das famílias, e onde houver responsabilidade legal de pagar indenização pagaremos", diz a nota, que não deu detalhes sobre quem serão exatamente os beneficiados pelas compensações nem quais valores serão pagos. O Ministério da Defesa confirmou que tem a intenção de resolver o assunto "o mais rápido possível".

Em 30 de janeiro de 1972, soldados do 1° Batalhão do Regimento de Paraquedistas do Exército britânico dispararam contra uma manifestação em favor dos direitos civis no bairro católico do Bogside, em Londonderry. Os incidentes deixaram 13 mortos e 14 feridos, desencadearam uma onda de violência na província e deram impulso às adesões ao grupo Exército Republicano Irlandês (IRA), que travou uma violenta campanha contra o domínio britânico na Irlanda do Norte.

O anúncio feito nesta quinta-feira pelo Executivo acontece depois que os advogados que representam esses parentes fizeram um pedido ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. Na carta, enviada pelo escritório de advogados Madden and Finucane, o governo britânico foi questionado sobre quais providências tomaria para "indenizar totalmente" as famílias.

O conflito na Irlanda do Norte opõe nacionalistas católicos, partidários da anexação da Irlanda do Norte à vizinha República da Irlanda, aos chamados "unionistas", protestantes defensores da continuidade da ligação com o Reino Unido.

Repercussão

Linda Nash, irmã de um rapaz morto aos 19 anos nos protestos, disse à BBC que a oferta de indenização é "repulsiva, ofensiva", e o certo seria punir os soldados responsáveis. "Nem agora nem em tempo algum aceitarei dinheiro. Já disse à minha equipe jurídica que quero levar os processos adiante."

Em junho do ano passado, o primeiro-ministro apresentou um relatório ao Parlamento de Londres reconhecendo que os mortos e feridos pelos disparos dos soldados britânicos eram civis inocentes. A versão oficial até então, fruto de uma investigação iniciada em 1972 pelo lorde Widgery, sustentava que os militares responderam com tiros à agressão de terroristas do IRA.

O líder do Partido Unionista do Ulster (UUP), Tom Elliott, pediu nesta quinta-feira à Comissão de Vítimas e Sobreviventes que revise todas as indenizações. "Trezentos policiais foram assassinados durante o conflito, 277 deles pelo IRA. Quantos filhos e netos daqueles que pagaram um alto preço para proteger o resto, sofreram, perderam uma educação e férias decentes?", perguntou o político protestante.

*Com Reuters e EFE

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