Reino Unido divulgará detalhes de encontros com a News Corp.

Governo publicará conteúdo de reuniões ministeriais com executivos da empresa de Rupert Murdoch, em meio a escândalo de grampos

iG São Paulo |

Ministros da coalizão do governo britânico, criticados por terem relações muito próximas com o escândalo da News Corp. , empresa do magnata Rupert Murdoch , serão alvo de nova avaliação nesta semana quando detalhes de seus encontros com os dirigentes da empresa forem publicados.

O governo publicará detalhes das reuniões ministeriais com executivos da News Corp, em uma tentativa de dissipar as alegações de que a empresa detinha influência indevida quando as autoridades do país decidiam sobre sua proposta de pagar US$ 12 bilhões para assumir pleno controle da TV paga BSkyB .

AP
James e Rupert Murdoch prestam depoimento no Comitê de Mídia do Parlamento britânico (19/7)
O executivo da News Corp. James Murdoch, filho do dono do império midiático, também está sob pressão por seu papel no escândalo de escutas telefônicas ilegais que atingiu as empresas de Murdoch e pode pôr em risco sua posição na corporação.

A polícia britânica está analisando um pedido do político oposicionista Tom Watson, do Partido Trabalhista, para investigar alegações de que James, 38 anos, deu depoimento "equivocado" a um comitê parlamentar na semana passada.

Na quinta-feira passada, dois executivos - Colin Myler, ex-editor do tabloide, e Tom Crone, ex-gerente legal do jornal - disseram ter informado James - que é presidente das operações da empresa do pai na Europa e na Ásia - de um importante email que constava em um processo aberto por Gordon Taylor, o chefe do sindicato dos jogadores profissionais de futebol. A caixa de mensagens de voz de Taylor foi interceptada pelo News of the World e a companhia alcançou um acordo sobre a ação judicial em 2008.

Sentado ao lado de seu pai em uma audiência em Westminster na terça-feira, James disse à comissão não estar ciente da mensagem de email, que contradizia uma declaração da News International na época de que o problema das escutas ilegais se limitava a um repórter.

Outro trabalhista, o deputado Chris Bryant escreveu aos diretores independentes da News Corp. pedindo que suspendam tanto James quanto o pai, de 80 anos, por falharem no exercício do controle apropriado da corporação.

O escândalo, que se concentra no extinto tabloide News of the world, levou à renúncia de dirigentes do alto escalão da News Corp. e também custou o emprego de duas autoridades policiais de Londres, depois de serem acusadas de muita proximidade com a empresa.

Crise no governo

O escândalo de escutas telefônicas ilegais representa a pior crise do governo do primeiro-ministro britânico, David Cameron, há 15 meses no poder. Ele vem sendo criticado por ter contratado o ex-editor do News of the World Andy Coulson como seu chefe de comunicação.

O ministro das Finanças, George Osborne, seguiu os passos de Cameron nesta segunda-feira ao também lamentar a nomeação de Coulson, que deixou o posto no gabinete de Cameron em janeiro e foi preso e solto sob fiança no começo deste mês.

"Sabendo o que sabemos agora, nós lamentamos a decisão (de contratar Coulson). Também suspeito que Andy Coulson não assumiria o cargo sabendo o que ele sabe agora", disse Osborne nesta segunda-feira, depois de se encontrar com o titular da pasta de Finanças da Índia, Pranab Mukherjee. "No que se refere às minhas reuniões com proprietários e editores de todos os jornais, nós vamos muito em breve publicar os detalhes de meus encontros e dos encontros de outros membros do governo", acrescentou Osborne.

Perdas

A News Corp desistiu de sua proposta pela BSkyB e fechou o News of the World, fundado havia 168 anos, para tentar aplacar o escândalo.

James e o pai compareceram a um comitê parlamentar de imprensa na terça-feira passada para responder a questões sobre escutas telefônicas. Um dia depois da sessão, um relatório do Comitê de Cultura, Mídia e Esportes do Parlamento britânico que investiga o escândalo de escutas telefônicas do jornal News of the World, acusou a empresa do magnata australiano de “tentativas deliberadas” de impedir o andamento das investigações.

*Com Reuters

    Leia tudo sobre: gramposnews of the worldgrã-bretanharupert murdoch

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG