Reino Unido dá mais poderes para polícia evitar distúrbios

Scotland Yard poderá impor toque de recolher em determinadas áreas para menores de 16 anos; premiê visita famílias em Tottenham

iG São Paulo |

AFP
Ministra do Interior britânica, Theresa May, explicou que corte de orçamento não será impeditivo para maior presença policial
A polícia britânica irá endurecer as táticas e poderá impor toques de recolher para evitar distúrbios de rua como os ocorridos na semana passada no Reino Unido, cujos culpados serão obrigados a limpar os prejuízos que causaram.

Nesta terça-feira a ministra do Interior, Theresa May, e o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, detalharam novas medidas para evitar a repetição de distúrbios como os ocorridos entre os dias 6 e 10 de agosto, que levaram a 2,1 mil detenções, sendo 1,7 mil só em Londres. Do total de detidos, 1 mil já foram processados.

Enquanto May centrou seus esforços nos novos poderes e nas necessidades da Scotland Yard para atuar com maior firmeza que nos primeiros dias da violência, Clegg falou em "sistemas de punição para os arruaceiros", que obrigará alguns processados a limpar as ruas destruídas vestidos com roupas de cor laranja.

Além de punir os jovens processados , o objetivo é que os envolvidos em saques e incêndios em Londres e em outras cidades britânicas entendam que seus atos tiveram "consequências humanas" e se desculpem pessoalemnte, declarou o político liberal-democrata. O vice-primeiro-ministro anunciou também a criação de uma comissão independente para ouvir as vítimas e as comunidades afetadas, que deve elaborar um relatório em até nove meses para apresentar aos líderes dos três principais partidos.

Em tom autoritário, a ministra do Interior indicou que a polícia precisa de novos poderes para endurecer a resposta aos distúrbios de rua "dentro da lei e com bom senso". Dentre as novas medidas está a possibilidade de os agentes imporem toques de recolher em áreas específicas e para adolescentes. Atualmente, a lei fala apenas em dispersar concentrações durante desordens públicas, além de poder ser aplicada apenas a indivíduos maiores de 16 anos. Mais de um quinto dos detidos em Londres é menor de idade.

"Enquanto continuarmos tolerando o tipo de comportamento antissocial que ocorre todos os dias no país, seguiremos com elevados índices de delitos, falta de respeito pela propriedade privada e desprezo pela comunidade", indicou a ministra de Interior, que defendeu a revisão do funcionamento das polícias da Inglaterra e do País de Gales.

Segundo a ministra, que anunciou a criação de uma Agência Nacional do Crime no Reino Unido, a resposta das autoridades deve passar por uma polícia mais presente nas ruas e com claras pautas de comportamento para lidar com autores de distúrbios. A ministra, no entanto, mostrou-se contrária a métodos utilizados, como balas de borracha, canhões de água e cassetetes.

Questionada sobre as implicações da redução estimada de 20% do orçamento da polícia, dentro do plano de corte de gastos públicos do governo, May não considera o corte orçamentário um impeditivo para maior presença policial nas ruas. Em sua opinião, o mais importante é o fato de os agentes serem "visíveis" e estarem "disponíveis", já que atualmente só 12% dos policiais permanecem ao mesmo tempo nas ruas.

Diante de críticas sobre a consultoria do ex-chefe de polícia americano de Nova York Bill Brantton, a ministra britânica deixou claro também que a Scotland Yard será dirigida por um britânico, que tem competências de segurança nacional, de olho nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Nesta terça-feira, a polícia disse ter conseguido evitar ataques perto do complexo esportivo construído na Rua Oxford para os Jogos Olímpicos do ano que vem, depois de ter acesso a informações em redes sociais, como o Twitter e o BlackBerry Messenger.

Cameron em Tottenham

Também nesta terça-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, visitou pela primeira vez o bairro de Tottenham, no subúrbio de Londres, onde explodiu a onda de violência da semana passada, para conversar com alguns moradores que ficaram sem residência em consequência dos incêndios.

"Estive em todo o país escutando o que aconteceu, mas aqui foi onde as coisas começaram", disse Cameron aos coordenadores dos serviços de emergência reunidos em um quartel de bombeiros, depois de visitar um centro poliesportivo que distribui comida e roupa às vítimas dos distúrbios.

Ao lembrar que a situação no bairro da zona norte da capital se tornou "complicada" depois da morte de Mark Duggan por disparos da polícia, o político conservador disse que existe um "importante esforço de reconstrução em curso". "Estive no centro esportivo e vi como a comunidade se uniu com grande coordenação. Podemos reconstruir tudo outra vez", completou.

O primeiro-ministro se reuniu com algumas das 50 famílias que ficaram desabrigadas pelos incêndios registrados nos distúrbios, os mais violentos em 30 anos no Reino Unido.

Segundo a vereadora trabalhista Claire Kober, entre 150 e 200 pessoas viram suas casas destruídas nos distúrbios, que prejudicou cerca de 100 estabelecimentos comerciais no bairro.

*Com EFE e AFP

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