Reino Unido alerta Irã para 'sérias consequências' por ataque à embaixada

Chanceler britânico afirma que Irã violou convenção de Viena ao fracassar em proteger missão diplomática; Teerã diz lamentar ação

iG São Paulo |

O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, afirmou nesta terça-feira que o Irã enfrentará "sérias consequências" pelo ataque contra a embaixada britânica em Teerã . Centenas de manifestantes invadiram dois complexos nesta tarde, colocando a segurança da equipe diplomática em risco e causando "danos extensos" à propriedade, disse Hague.

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Homen segura pôster com os atores americanos John Travolta e Samuel L. Jackson em cena do filme 'Pulp Fiction' durante invasão da Embaixada do Reino Unido em Teerã
"Claramente haverá consequências sérias. Farei uma declaração atualizando o Parlamento sobre isso amanhã (quarta-feira)", disse o ministro, relatando que a polícia iraniana protegeu o embaixador britânico e alguns membros da equipe de uma grande multidão do lado de fora da representação diplomática.

"Houve confusão em determinados momentos sobre o paradeiro de alguns membros da missão diplomática. Não usaria o termo refém. Claramente houve momentos em que a polícia iraniana interveio para tentar assegurar a segurança da equipe. Somos gratos por isso, mas essa situação nunca deveria ter chegado a esse ponto."

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também condenou o governo iraniano, afirmando que "o fracasso na hora de proteger nosso pessoal e nossas propriedades foi uma desgraça". "Nossa prioridade imediata é a segurança de nosso pessoal", que já foi localizado, comentou o premiê após falar por telefone com o embaixador britânico em Teerã, que elogiou por seu "profissionalismo" e "calma" para enfrentar a situação.

Mais cedo nesta terça-feira, manifestantes invadiram o complexo da Embaixada do Reino Unido de Teerã, jogando documentos pela janela e arrancando a bandeira britânica do mastro para depois queimá-la e substituí-la por um estandarte em nome de imã Hussein, em cenas que lembraram a fúria contra as potências do Ocidente depois da Revolução Islâmica de 1979.

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Além da embaixada, localizada no centro da capital iraniana, também foram invadidos os Jardins Gholhak, representação diplomática britânica no norte da cidade. Citando a agência semioficial Fars, o jornal britânico Guardian afirmou que seis membros da equipe diplomática foram capturados brevemente na residência do embaixador no norte de Teerã até serem soltos pela polícia.

Hague disse que o Irã "cometeu uma grave violação" da Convenção de Viena, que reivindica a proteção dos diplomatas e das premissas diplomáticas sob todas as circunstâncias. "Consideramos o governo iraniano responsável pelo fracasso em tomar medidas adequadas para proteger nossa embaixada como é esperado que faça. Falei com o chanceler iraniano para demandar medidas imediatas para garantir a segurança de nossa equipe em ambos complexos."

Em Washington, a Casa Branca divulgou uma declaração condenando os ataques e afirmando que o Irã tem a obrigação de proteger as embaixadas estrangeiras. Os EUA romperam as relações diplomáticas com o Irã durante a tomada da embaixada americana em 1979. A crise de reféns que se seguiu durou 444 dias e estabeleceu o tom das péssimas relações entre Teerã e Washington desde então. O Conselho de Segurança da ONU também condenou o ataque contra os dois edifícios.

Posteriormente, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, disse lamentar os incidentes e "alguns comportamentos inaceitáveis". "Respeitamos as regulamentações internacionais sobre a imunidade e a segurança dos diplomatas e das representações diplomáticas, e estamos comprometidos com elas."

A invasão aconteceu dois dias depois de o Parlamento do Irã ter aprovado um projeto de lei que reduz as relações com o Reino Unido em retaliação à decisão de Londres de impor sanções adicionais ao país, no dia 21, quando anunciou o corte de todos os laços financeiros com bancos iranianos. As medidas britânicas fazem parte de uma nova série de sanções impostas pelos países ocidentais a Teerã .

As punições foram tomadas depois de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica reafirmar as suspeitas de que o programa nuclear de Teerã tem objetivos militares . O Irã negou em reiteradas ocasiões que queira fabricar armas atômicas, afirmando que seu programa nuclear tem fins civis.

*Com AP, Reuters, BBC e EFE

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