Rei saudita instou EUA a atacar Irã, revelam documentos

Informação faz parte de 250 mil documentos diplomáticos que foram vazados no domingo pelo site Wikileaks

iG São Paulo |

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, tentou repetidamente convencer os EUA a atacar o Irã para pôr fim ao programa de armas nucleares iraniano, enquanto a China direcionou ataques cibernéticos contra os EUA.

As informações são parte de um vasto conjunto de documentos liberados no domingo pelo website Wikileaks , cujas revelações vêm causando embaraços para a diplomacia americana.

AP
Foto de 17/11/2007 mostra presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (à esq.), cumprimentando o rei Abdullah, da Arábia Saudita
O Wikileaks, um site que se especializa em divulgar dados secretos, entregou para cinco grupos de mídia mais de 250 mil documentos que mostram avaliações favoráveis ou muito ácidas de líderes estrangeiros, bem como arquivos sigilosos sobre terrorismo e proliferação nuclear colhidos por diplomatas dos EUA, segundo o New York Times.

A Casa Branca condenou a divulgação e disse que as revelações podem pôr em risco informantes americanos no exterior. O Wikileaks disse que seu website estava sendo atacado e nenhum dos documentos postados pôde ser visto no domingo à noite, embora alguns tenham sido publicados por órgãos da mídia. 

Israel e Irã

Um alto funcionário do governo israelense afirmou nesta segunda-feira que não há grandes problemas relacionados a Israel depois da divulgação dos documentos diplomáticos dos EUA pelo Wikileaks. "Nos saímos muito bem", disse o alto funcionário sob condição de anonimato ao comentar as revelações feitas por enquanto pelo portal.

"As revelações demonstram que Israel não tem uma linguagem dupla e diz de modo privado o mesmo que diz em público a respeito do programa nuclear iraniano", completou. "Acontece que todo o Oriente Medio está temeroso com a perspectiva de um Irã nuclear. Os países árabes querem dos EUA uma ação militar de maneira muito mais acelerada que Israel", disse.

Segundo os documentos do Wikileaks, Washington recebeu pedidos de ação mais severa em relação a Teerã de Israel e dos países do Golfo. O rei da Arábia Saudita teria defendido até mesmo a opção militar.

Também de acordo com as informações vazadas pelo portal, o governo dos EUA teria informado à França que Israel pode executar um ataque contra instalações nucleares do Irã sem apoio militar de Washington, mas a operação poderia não ser bem-sucedida.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, avaliou a situação em uma reunião em 8 de fevereiro com o ex-ministro da Defesa francês Hervé Morin, indica um resumo secreto do encontro, publicado pelo Wikileaks, que revelou mais de 250 mil documentos.

Ao ser questionado por Morin se Israel teria a capacidade de atacar o Irã sem a ajuda dos EUA, Gates "respondeu que não sabia se teriam êxito, mas que Israel poderia executar a operação". Mas Gates subestimou o valor de qualquer operação militar contra o Irã, indica o documento.

Também de acordo com documentos revelados pelo Wikileaks, Israel buscou apoio do Egito e do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, para a ofensiva militar contra a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, no fim de 2008.

Os contatos das autoridades israelenses com representantes egípcios e palestinos prosseguiram durante a operação. O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, informou em 2009 a uma delegação do Congresso americano que o governo de Israel consultou o Egito e o partido laico Fatah para saber se estavam dispostos a assumir o controle da Faixa de Gaza após a derrota do grupo radical islâmico Hamas.

Mas Barak recebeu uma resposta negativa, o que não foi considerado surpreendente, segundo um documento americano revelado pelo Wikileaks.

Iraque

No Iraque, o chanceler iraquiano, Hoshyar Zebari, criticou a publicação dos documentos e afirmou esperar que eles não prejudiquem o processo de formação de governo em curso . "Essas publicações não nos ajudam em absoluto", disse Zebari.

"Estamos em uma fase crítica, tentando formar um governo. Esperamos que tudo isso não envenene a atmosfera geral entre os políticos e dirigentes iraquianos", completou. No entanto, o ministro reconheceu que ainda não havia lido os textos que envolvem especificamente o Iraque.

Os documentos citam essencialmente a influência que os diplomatas americanos atribuem ao Iraque e ao Irã. O presidente iraquiano, Jalal Talabani, atribuiu na quinta-feira ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki a tarefa de formar um novo governo , que o país espera desde as eleições legislativas de 7 de março.

*Com Reuters, AFP e EFE

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