A Tailândia, ao contrário do que se esperava, não vai ouvir nesta quinta-feira o rei Bhumibol Adulyadej, que está com a saúde debilitada, segundo o príncipe herdeiro, que falará em seu lugar.

O monarca mais veterano do mundo completa 81 anos na sexta-feira. Este fato inesperado, anunciado minutos antes da intervenção prevista do rei, coincide com uma grave crise política, que foi marcada em 25 de novembro pela ocupação dos aeroportos de Bangcoc por manifestantes contrários ao governo.

Nesta quinta-feira, mais de 100 aviões devem pousar e decolar no aeroporto internacional de Suvarnabhumi, em Bangcoc, por onde passam normalmente 700 vôos diários. A volta completa à normalidade está prevista para sexta-feira.

O fechamento do Suvarnabhumi e do aeroporto nacional Don Mueang deixou cerca de 350.000 passageiros presos na Tailândia, entre eles muitos turistas estrangeiros. O Don Mueang retomou todas as atividades nesta quinta-feira.

Protesto gera prejuízos

As conseqüências deste bloqueio são desastrosas para a Tailândia, que vem fazendo do turismo o pilar de sua economia.

Os prejuízos estão calculados em bilhões de dólares. A companhia aérea Thai Airways previu perdas de 560 milhões de dólares e afirmou que pode entrar com ações judiciais contra os líderes do movimento de protesto para obter uma reparação.

Segundo a imprensa, a Thai Airways teve de anular cerca de mil vôos.

Além disso, vários hotéis da capital decidiram reduzir as tarifas para os passageiros à espera de um vôo, em uma tentativa de recuperar parte dos recursos perdidos.

Os opositores monárquicos da Aliança do Povo pela Democracia (PAD) encerraram a ocupação dos aeroportos na terça-feira, após a ordem de dissolução do partido governista emitida pelo Tribunal Constitucional, que também afastou por cinco anos da vida política o primeiro-ministro Somchai Wongsawat por fraude eleitoral.

Mas a crise política parece longe de ter terminado. Na próxima semana, os partidários do governo podem conseguir a eleição no Parlamento de um sucessor de Somchai.

A PAD já advertiu que não aceitará a nomeação de uma pessoa ligada a Somchai e sobretudo a seu mentor, Thaksin Shinawatra, ex-chefe de Governo tailandês exilado após ter sido derrubado pelo Exército em 2006 e condenado em seu país por corrupção.

Em 1992, durante uma revolta, o rei, muito respeitado no país, arbitrou de modo espetacular entre militares e manifestantes, chamando, em um discurso na televisão que repercutiu em todo o mundo, os líderes de ambos os grupos, postados a seus pés, a fazer as pazes.

O primeiro-ministro da época, surgido de um golpe de Estado, pediu demissão e os distúrbios acabaram.

Leia mais sobre Tailândia

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.