Rei jordaniano pede urgência para paz no O.Médio

Amã, 15 mai (EFE).- O rei Abdullah II da Jordânia, considerado como uma das vozes mais moderadas do Oriente Médio, afirmou hoje que a mudança na política dos Estados Unidos para a região deve ser aproveitada e que se deve buscar a paz com afinco, porque cada demora pode ser ainda mais perigosa.

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"Não é possível haver mais oportunidades perdidas", afirmou Abdullah II na abertura do Fórum Econômico Mundial para o Oriente Médio, que termina no próximo domingo e que reúne, às margens do Mar Morto, 1.400 políticos, empresários e analistas econômicos.

O monarca jordaniano, uma das figuras-chave para resolver a crise que domina o Oriente Médio há décadas, foi o único líder árabe que foi recebido até agora na Casa Branca pelo atual presidente americano, Barack Obama.

O rei também é a figura que vem mais insistindo em lembrar os riscos do início de um novo conflito armado no médio prazo caso as negociações de paz para o Oriente Médio não sejam retomadas em breve.

Em seu discurso de hoje, Abdullah II preferiu sair do marco econômico determinado pelo fórum e insistiu na necessidade de buscar soluções políticas para a região.

O rei jordaniano ressaltou a vigência da iniciativa árabe para a paz, anunciada em 2002 e que oferece o reconhecimento de Israel por parte das nações árabes em troca, entre outros pontos, do estabelecimento de um Estado palestino.

O chefe de Estado acrescentou essa iniciativa apresenta "o legítimo direito dos palestinos à liberdade e a um país, além de oferecer a Israel as garantias de segurança e a normalização de relações de que necessita".

O monarca disse que tinha insistido nessa proposta quando se reuniu com Obama no último dia 21 e acrescentou que este se comprometeu a defender uma solução para o Oriente Médio que leve à formação de dois Estados, um palestino e um israelense, e a uma paz integral.

"O novo compromisso americano abriu a oportunidade de mudar a direção dos fatos", afirmou o monarca.

Líderes regionais e analistas políticos destacaram a decisão da nova Administração dos EUA de abrir novos campos de comunicação no Oriente Médio, incluindo Síria e Irã, e sustentam que, graças a isso, toda a região pode ser favorecida.

Frente a esta mudança de política, o novo Governo israelense, presidido pelo conservador Benjamin Netanyahu, se opõe, por exemplo, a aceitar a solução de dois Estados, o israelense e o palestino.

Netanyahu e o rei Abdullah II se reuniram ontem na Jordânia e, após o encontro, um comunicado oficial jordaniano disse que o monarca alertou o governante israelense que "Israel não obterá segurança e estabilidade se os palestinos não tiverem o direito de se estabelecer em seu próprio Estado e terem a oportunidade de viver em paz".

Hoje, o monarca repetiu tal raciocínio no Fórum Econômico Mundial.

Na última segunda-feira, em entrevista publicada pelo jornal britânico "The Times" e que repercutiu bastante na região, Abdullah II alertou sobre a possibilidade da explosão de um conflito regional caso haja atrasos nas negociações de paz no Oriente Médio.

Em seu discurso de hoje, o rei jordaniano insistiu em que, caso a iniciativa árabe seja aceita, o Estado de Israel poderá ser reconhecido por 57 países, um terço das nações do planeta.

"Isso é verdadeira segurança", insistiu.

As declarações de Abdullah vêm a público em meio a uma atividade diplomática sem precedentes na região, que inclui viagens de Netanyahu à Jordânia e ao Egito, enquanto que a Síria recebeu as visitas do monarca jordaniano e do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, nos últimos dias.

Tudo isso antes de Obama receber Netanyahu na semana que vem e o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no próximo dia 26 ou 27. EFE ajm-ag/bba

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