Rei jordaniano pede que Netanyahu aceite a criação de um Estado palestino

O rei Abdullah, da Jordânia, pediu nesta quinta-feira ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que aceite a criação de um Estado palestino, durante a reunião entre os dois, em Amã.

AFP |

"O rei solicitou ao governo israelense que proclame seu compromisso com a criação de dois estados (o israelense e o palestino), que aceite o plano de paz árabe e que aprove medidas concretas para avançar em busca de uma solução" do conflito israelense-palestino, segundo um comunicado divulgado pelo Palácio Real da Jordânia.

O plano de paz árabe, de inspiração saudita, propõe a Israel a normalização de relações com todos as nações árabes em troca de uma retirada dos territórios ocupados pelo Estado hebreu desde a Guerra dos Seis Dias em 1967.

Netanyahu viajou de surpresa à Jordânia na manhã desta quinta-feira.

O soberano hachemita também pediu a Netanyahu urgência no "fim da colonização (dos territórios ocupados) e de qualquer medida suscetível de modificar os elementos (de negociação)".

Se israelenses e palestinos não alcançarem um acordo, toda região será arrastada a uma situação crítica, acrescentou.

"Israel nunca estará seguro nem terá estabilidade se os palestinos não obtiverem o direito de criar um Estado independente", sublinhou Abdullah II, segundo o comunicado oficial.

O monarca jordaniano advertiu, em uma entrevista publicada na última segunda-feira pelo jornal britânico The Times, que poderia estourar uma nova guerra entre Israel e os países árabes no ano próximo se o mundo continuar adiando uma solução para o conflito israelense-palestino.

"Se adiarmos as negociações, haverá outro conflito entre os países árabes, ou muçulmanos, e Israel nos próximos 12, 18 meses", declarou.

O primeiro-ministro israelense, que chefia um governo de direita, nega-se, até então, a apoiar publicamente a criação de um Estado palestino.

Deseja primeiro resolver a questão nuclear iraniana, acreditando que os palestinos ainda não estejam prontos para uma solução que leve a dois Estados, apoiada por grande parte da comunidade internacional.

Em declarações a uma emissora de rádio israelense nesta quinta-feira, Netanyahu classificou de "excelente" sua reunião com Abddullah da Jordânia.

"Temos uma perspectiva idêntica à do mundo árabe em relação ao perigo iraniano. É um fenômeno novo que nos permite pensar em cooperar", acrescentou.

Nos próximos dias, a atividade diplomática do Oriente Médio estará concentrada em Washington, onde o presidente americano Barack Obama receberá Netanyahu (18), o presidente egípcio Hosni Mubarak (26) e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas (28), segundo informou a Casa Branca.

No início de junho, Obama irá ao Cairo, onde pronunciará um discurso dirigido ao mundo muçulmano que poderá contecer a proposição das grandes linhas de um plano de paz.

Netanyahu se reunirá na segunda-feira com Mubarak no Egito, para tratar do processo de paz no Oriente Médio.

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