Rei deposto sai de palácio, mas promete ficar no Nepal

Por Simon Denyer e Gopal Sharma KATMANDU (Reuters) - Resignado com seu destino, o rei deposto do Nepal, Gyanendra, saiu do palácio de teto rosa em forma de pagode pela última vez na quarta-feira, mas prometeu continuar no país e trabalhar pelo bem da população nepalesa.

Reuters |

O ex-monarca saiu do amplo complexo de Narayanhiti, no centro da capital nepalesa, em uma limusine preta, atrás de uma caminhonete da polícia, passando por milhares de curiosos e centenas de policiais antimotim.

Algumas dezenas de pessoas insultaram-no gritando frases como 'Gyane, seu ladrão, deixe o país' ('Gyane' é um diminutivo ofensivo do nome dele), dançando e celebrando.

Três horas antes, o rei deposto havia concedido sua primeira entrevista coletiva, na qual manifestou o desejo de não se exilar. 'Eu gostaria de morar na minha pátria e contribuir da melhor forma possível para o bem deste país e para que haja paz aqui', afirmou.

Duas semanas atrás, uma assembléia especial aboliu a monarquia de 239 anos e ordenou que Gyanendra deixasse o palácio e se dirigisse para um antiga casa real de caça existente perto de Katmandu.

Gyanendra, porém, terá permissão de continuar com seus negócios no Nepal. O rei deposto teria uma grande fortuna na forma de empresas de chá, empresas de tabaco e cassinos.

Na entrevista coletiva, Gyanendra parecia estar tranquilo e sorriu várias vezes. Pressionando as pontas dos dedos umas contra as outras, o ex-monarca, que já entregou sua coroa de diamantes e rubi e o cetro cerimonial, afirmou aceitar a decisão da assembléia.

O rei deposto, 60, que assumiu o controle absoluto do país em 2005 gerando protestos de rua e, no final, sua queda, disse lamentar em parte suas ações, mas não fez nenhum pedido oficial de desculpas.

'Em nome da minha família e de mim mesmo, eu gostaria de expressar meu lamento no caso de alguém ter sido inadvertidamente prejudicado por minhas medidas ou por medidas adotadas por membros da minha família', disse, diante de um grande número de jornalistas.

A abolição da monarquia foi uma das condições impostas pelos rebeldes maoístas em um acordo de paz de 2006, rebeldes esses que travaram uma guerra civil de dez anos na qual mais de 13 mil pessoas foram mortas.

Vestido com um quepe nepalês nas cores branca, vermelha e preta, com uma jaqueta preta e um casaco, além de óculos de aro vermelho, Gyanendra concedeu a entrevista em um salão existente dentro do palácio.

Atrás dele, podiam ser vistos dois tigres empalhados, um de cada lado de uma grande escadaria. Na parede, duas cabeças de rinoceronte flanqueavam uma janela de vidro mostrando um pavão.

Sobre o rei deposto, havia um candelabro de cristal.

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