Rei da Tailândia pode usar seu imenso prestigio para resolver crise

O rei da Tailândia, venerado pela maioria de seus súditos e que fará 81 anos de idade nesta sexta-feira, tem, segundo os observadores, a chave para resolver de maneira duradoura o conflito político que atualmente aflige o reino.

AFP |

Bhumibol Adulyadej, o mais velho monarca em exercício do mundo, 62 anos de reinado, tinha previsto dirigir-se à nação nesta quinta-feira, véspera de seu aniversário, mas, no último momento, suspendeu seu discurso por motivos de saúde.

Alguns analistas atribuem à agitação política dos três últimos anos às tensões entre o reino e o primeiro-ministro no exílio, Thaksin Shinawatra, e à incerteza sobre a sucessão real.

Os opositores -- que em 25 de novembro fecharam os aeroportos de Bangkok e precipitaram na terça-feira a renúncia do primeiro-ministro Somchai Wongsawat, cunhado de Thaksin - estavam vestidos de amarelo, em sinal de obediência ao rei.

Em uma atitude pouco habitual, sua esposa, a rainha Sirikit, participara em 13 de outubro do funeral de uma manifestante, vítima dos enfrentamentos com a polícia nas proximidades do Parlamento.

Ao suspender bloqueio dos aeroportos na quarta-feira, depois da partida de Somchai por decisão da Corte Constitucional, o líder da oposição, Sondhi Limthongkul, advertiu que a agitação seria reiniciada se "os partidários de Thaksin voltassem" ao poder ou "tentassem desafiar a autoridade do monarca".

O desaparecimento de Bhumibol, cujo reinado é o mais longo da história da Tailândia, deixaria um vazio enorme, temido pelos tailandeses educados no respeito ao rei, à devoção budista e a um patriotismo alimentado pelo Exército.

Bhumibol, nascido em 5 de dezembro de 1927 nos Estados Unidos, reinou desde que completou os 18 anos, em 1946, depois da misteriosa morte a bala de seu irmão mais velho. Logo depois de concluir seus estudos na Suíça, foi coroado em 5 de maio de 1950 com o nome de Rama IX.

O monarca teve 23 primeiros ministros, 17 Constituições e 18 golpes de Estado, enquanto seu reino deixava de ser agrário e semifeudal para transformar-se em um "tigre" asiático.

Este hábil estrategista político, carente de poder constitucional, já que a monarquia absoluta foi abolida em 1932, tem uma grande autoridade moral, mas exercida nas sombras.

Acredita-se que teve relações tumultuosas com o primeiro-ministro eleito em 2001, Thaksin Shinawatra, um poderoso homem de negócios de 59 anos derrubado pelo exército em 2006.

Poucos meses antes do golpe militar, o rei abandonou sua reserva para batizar de "não democráticas" as eleições convocadas por Thaksin, que estava em uma situação difícil devido a manifestações em Bangcoc. As eleições, boicotadas pela oposição, foram anuladas pela Corte Constitucional.

Os golpistas alegaram uma "corrupção generalizada" e a "defesa da monarquia" para justificar sua intervenção.

Durante uma sublevação em 1992, o rei tailandês agiu de maneira espetacular para apaziguar militares e manifestantes. Em um discurso transmitido pela televisão, exortou, quase a ajoelhado, os chefes de todos os setores a estabelecer a paz. O então primeiro-ministro, no cargo graças a um golpe de estado, foi demitido e os distúrbios cessaram.

Bhumibol é um soberano unificador da Tailândia. Teve quatro filhos com Sirikit, com a qual casou em 1950: três mulheres e um homem.

Seu filho, o príncipe herdeiro Maha Vajiralongkorn (56 anos), na teoria, deve sucedê-lo. Uma de suas filhas, a princesa Maha Chakri Sirindhorn (53 anos), tem uma grande popularidade.

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