Rei da Tailândia não faz discurso aguardado por políticos

Gaspar Ruiz-Canela Bangcoc, 4 dez (EFE).- O Rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, deixou hoje sem seu discurso anual os políticos e seguidores dos dois grupos que esperavam receber um claro sinal de orientação em meio à batalha que travam e que deixou o país em uma profunda crise.

EFE |

Após uma hora de espera no Palácio Real, a Casa Real anunciou aos 20 mil convidados que aguardavam que o monarca iria faltar à esperada reunião anual.

"Vossa majestade designou atenciosamente a Vossa alteza, o Príncipe, a participar em seu nome do ato" indicou a Casa Real em comunicado divulgado pelos canais de televisão e emissoras de rádio.

O príncipe Vajiralongkorn dirigiu-se a uma audiência composta por destacados funcionários, empresários e outras personalidades e, ao contrário de seu pai, capaz de estender-se durante horas, falou por meros três minutos.

Em sua breve locução, o herdeiro da Coroa explicou que o Rei, que na sexta-feira completará 81 anos, sofria um ligeiro mal-estar na garganta, mas acrescentou que "não é nada sério".

Esta foi a primeira vez em 62 anos de reinado que Bhumibol, considerado quase uma divindade por muitos tailandeses, não pronunciou seu discurso anual de aniversário, que em datas anteriores usou para fazer chegar suas mensagens à população e aos políticos.

As palavras e até as omissões do monarca no discurso anual foram sempre levadas em conta pelos políticos e, freqüentemente, influíram nas decisões que adotaram tanto o Governo quanto os partidos.

Ao longo de seu reinado, Bhumibol conseguiu que a maioria da população lhe veja como a máxima autoridade moral da Tailândia, um país com uma monarquia constitucional que viveu anteriormente intervenções diretas do monarca em graves crises políticas.

A ausência do monarca a seu reunião anual ocorre em meio à crise política que o país enfrenta desde o golpe de estado dado pelos militares em 2006 contra Thaksin Shinawatra, o primeiro-ministro mais controvertido da moderna história do país.

Após um breve Governo militar, um grupo heterogêneo que se denominou pelo rótulo de defensor da monarquia e que se chama Aliança do Povo para a Democracia, saiu há sete meses novamente às ruas para forçar a queda de um Governo que tachou de corrupto e de estar ao serviço de Shinawatra e de seus aliados políticos.

Com os dois principais aeroportos ocupados pelos manifestantes da Aliança e cerca de 300 mil turistas retidos em Bangcoc, o Tribunal Constitucional dissolveu na terça-feira passada três partidos da coalizão de Governo e desabilitou o primeiro-ministro Somchai Wongsawat e outros 108 políticos, por fraude eleitoral na eleição realizada em dezembro do ano passado.

Por causa da decisão judicial, a Aliança do Povo para a Democracia, encerrou na quarta-feira a ocupação dos dois aeroportos, embora ameace retomar os protestos se os três partidos que permanecem na coalizão formarem um Governo de políticos próximos ao circulo de Shinawatra, condenado à revelia a dois anos de prisão por um delito de abuso de poder.

Por causa do aniversário do monarca, os seguidores dos partidos dissolvidos suspenderam as manifestações até o próximo fim de semana.

Após a resolução judicial, os três partidos políticos da coalizão se preparam para recuperar o poder com um novo primeiro-ministro à frente, que seria, em quatro meses, o terceiro do círculo de políticos vinculados ao ex-líder Shinawatra.

Em outubro, a Aliança recebeu uma amostra de simpatia da Monarquia quando a rainha Sirikit assistiu ao funeral de uma jovem que perdeu a vida em um ataque policial, e se comprometeu a pagar as faturas médicas de todos os manifestantes que ficaram feridos. EFE grc/jp

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