Rei da Jordânia profetisa sobre negociações de paz

Jovem monarca é o único líder árabe a falar com absoluta franqueza sobre o conflito

Nahum Sirotsky, de Israel |

Numa entrevista exclusiva a um repórter da TV estatal, do Canal 11, o rei Abdala, da Jordânia, previu que no segundo dia da reunião na Casa Branca entre Bibi Netanyahu e Abu Mazen já se saberá se a paz é ou não possível. O jovem monarca, de educação inglesa e americana, é o único líder árabe a falar com absoluta franqueza sobre o conflito. Não foi encontro ensaiado e foi cara a cara com o jornalista, o melhor especialista em questões árabes cuja língua fala fluentemente. Entrou-se em todas as questões numa conversa em inglês. O rei provavelmente quis ser melhor compreendido pelo maior público possível em suas inteligentes e bem informadas respostas.

Abdala é um dos dirigentes árabes convidados por Obama. O outro é Abdula, rei da Arábia Saudita, também extremamente inteligente e educado, porém, limitado pela sua posição de Guardião de Meca e Medina, os lugares mais sagrados do Islã que tem de considerar em tudo o que diz. Não se tem declarações dele sobre o objetivo de se começar as negociações diretas entre Israel e a Autoridade Palestina. Mas o plano de paz que ele sugeriu há anos será fundamental nas negociações.

O rei jordaniano é um dos dois dos 22 países árabes que mantém relações diplomáticas com Israel. O outro é o Egito, cujo dirigente Mubarak não virá, nem foi citado como convidado, provavelmente por seu estado de saúde. Abdala logo na primeira resposta disse que a situação atual, o status quo, é insustentável.
O tempo desfavorável a Israel. A paz com os palestinos, concretizando a hipótese de dois países na mesma terra e em convivência pacifica, conforme plano saudita apresentado há anos, resultará na paz com 22 países árabes do Oriente Médio e outros 33 países islâmicos, um total de 57 países maometanos.

Abdala lembrou que sustentar o status quo implica em sustentar uma situação cuja saída só poderá ser violenta. Não existem dúvidas de que forças contrárias a paz farão todos os esforços possíveis para impedi-la. Mas o conflito já custou vidas e destruições em demasia. É fundamental evitar que corra mais sangue, o que é possível se os políticos colocarem seus interesses menores de lado e se empenharem em encontrar a solução possível. “Eles precisam ter a grandeza de pensar em seus povos para se apresentarem diante deles pedindo apoio para o que obtiverem. Ter a coragem de dizer ao povo que foi o melhor que conseguiram e obter apoio”, disse.

Dois dias, deixou implícito o rei Abdala, bastam para que cada lado coloque suas posições negociadoras que terão de ser compatibilizadas no decorrer das negociações. O presidente Obama fala de um ano como prazo para se chegar ao entendimento. O rei considera ser possível prazo menor e aceitou que tanto maior o tempo gasto, tão maiores serão as oportunidades oferecidas aos inimigos da paz. E apenas a paz pode garantir a segurança na qual tanto empenham os israelenses.

Havendo as condições políticas favoráveis logo as relações econômicas, culturais e tecnológicas transformarão ódios em entendimentos, com o tempo, amizade. A paz entre israelenses e palestinos eliminarão o único motivo que impede que os países do Oriente Medio entendam-se . Nascerá um mundo novo.

Em essência foi o que declarou o Rei Abdala. O notável é que em lugar de se destacar as possibilidades de novos conflitos enfatizou-se a responsabilidade dos políticos em contribuírem para uma solução. Reis não defendem ideologias.

A estas horas Bibi Netanyahu já está voando para Washington. Ele terá de recorrer ao Ministério da Defesa para formar sua equipe. O Ministério do Exterior de Israel está em greve. Os testes serão nos dias 2 e 3 de setembro.

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