Rei da Jordânia prevê nova guerra no ano que vem sem processo de paz

Uma nova guerra entre Israel e países árabes ou islâmicos poderá ocorrer em 12 a 18 meses se não houver progressos nas negociações de paz para o Oriente Médio, segundo afirma o rei Abdullah, da Jordânia, em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo diário britânico The Times. Abdullah disse estar participando da elaboração de um plano de paz americano para a região, que prevê uma ambiciosa solução de 57 Estados, com o envolvimento de todos os 57 membros da Organização da Conferência Islâmica.

BBC Brasil |

Segundo ele, o plano inclui propostas para resolver as disputas de Israel com a Síria e com o Líbano.

O rei da Jordânia advertiu que se Israel adiar a solução de dois Estados, com a criação do Estado palestino, ou se não houver uma clara visão dos Estados Unidos sobre o que deve ocorrer neste ano, a "tremenda credibilidade" do presidente americano, Barack Obama, no mundo árabe evaporaria da noite para o dia.

"Se adiarmos nossas negociações de paz, haverá um novo conflito entre árabes ou muçulmanos e Israel nos próximos 12 a 18 meses", afirmou Abdullah.

Debates

Os comentários do rei da Jordânia foram feitos antes dos debates sobre o Oriente Médio no Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira.

Um encontro de ministros das Relações Exteriores deve reforçar o apoio do conselho ao processo de paz na região.

Espera-se também que os Estados Unidos apresentem em breve seu plano de paz para a região em uma série de encontros e eventos programados para as próximas semanas.

Na semana que vem, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, se reúne com Obama na Casa Branca. Os líderes palestino e egípcio também foram convidados para encontros separados em Washington.

No início de junho, o presidente americano visita o Egito, onde deve fazer um grande discurso sobre as relações dos Estados Unidos com o mundo islâmico.

Sinais claros

Em sua entrevista ao Times, o rei Abdullah disse que todos os olhos devem estar "voltados para Washington".

"Se não houver sinais claros nem direções claras para todos nós, haverá um sentimento de que é apenas mais um governo americano que vai nos desapontar", afirmou.

Segundo ele, a "solução de 57 Estados" significaria não somente israelenses e palestinos sentando à mesa de negociações, mas "israelenses sentando com palestinos, israelenses sentando com sírios, israelenses sentando com libaneses".

Segundo o Times, o plano americano poderia oferecer vistos de entrada a Israel para todos os países árabes, o direito da companhia aérea israelense El Al de sobrevoar territórios árabes e o reconhecimento de Israel por todos os membros da Organização da Conferência Islâmica.

Atualmente, a Jordânia e o Egito são os únicos países árabes que reconhecem a existência de Israel e mantêm relações diplomáticas com o Estado judeu.

O plano de paz exigiria de Israel a interrupção da construção e da expansão de assentamentos judaicos e a retirada dos territórios ocupados desde 1967.

O direito de retorno dos refugiados palestinos e o futuro de Jerusalém seriam discutidos nas negociações para o acordo.

Netanyahu não endossou o estabelecimento de um Estado palestino. Seu ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, já afirmou que o processo de paz entre Israel e palestinos está em um "túnel sem saída".

No lugar da solução de dois Estados apoiada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, Netanyahu propõe um processo de paz "de três vias", que inclui exigências de progressos nas áreas política, econômica e de segurança.

Apesar disso, o rei Abdullah se diz confiante. "Não devemos jogar a toalha só porque há um governo de direita em Israel", disse.

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