Bruxelas, 20 jul (EFE).- O rei Albert II da Bélgica disse hoje que os belgas devem criar novas formas de viverem juntos e tentar pôr fim à grave crise política enfrentada pelo país devido às fortes diferenças entre flamengos e francófonos.

Em seu discurso ao país por ocasião do Dia Nacional, que a Bélgica comemora amanhã, o monarca afirmou que "a união e a tolerância" dentro do respeito das regiões federadas constituem "a única via possível" em uma sociedade democrática.

O rei começou seu discurso lembrando a proximidade do 15º aniversário de morte de seu irmão, Baudouin I, e reconheceu que a Bélgica atravessa "sérias dificuldades políticas", mas deixou claro que "os obstáculos e as crises também são ocasiões para se recuperar".

"Devemos criar novas formas para vivermos juntos em nosso país", destacou.

Na quinta-feira, Albert II rejeitou o pedido de renúncia apresentando na segunda-feira pelo primeiro-ministro belga, o democrata-cristão flamengo Yves Leterme, e nomeou três mediadores para estabelecerem as bases da recuperação do diálogo entre flamengos e francófonos.

Os flamengos buscam uma nova descentralização do Estado, com mais poder para as regiões, frente ao receio dos francófonos, enquanto as disputas sobre a conveniência das duas comunidades na zona periférica de Bruxelas se aguçaram.

O rei da Bélgica lembrou o fio condutor do discurso de seu irmão mais velho e citou algumas palavras dele sobre a complexidade política do país, que se manteve ao longo do tempo.

Baudouin I "era um defensor vigoroso" da unidade e da coesão do país "dentro do respeito à sua diversidade". Estava convencido de que "o caráter multicultural do país era uma riqueza e uma vantagem", afirmou.

Também assinalou como, em seu último discurso, no Dia Nacional de julho de 1993, Baudouin I pregou "um espírito de conciliação, de boa vontade, de tolerância e de civismo federal".

O monarca destacou como o irmão, que morreu na Espanha poucos dias depois desse discurso, pediu para o povo unir suas forças e fazer frente a desafios como "emprego, segurança, ensino e a construção européia".

Albert II pediu que os belgas refletissem sobre isso, justamente quando a União Européia (UE) comemora, em 2008, o ano do diálogo intercultural.

O discurso, exibido pela televisão direto do Palácio Real de Laeken, não se centrou exclusivamente na situação política nacional, mas alertou para o aumento da pobreza no país - no contexto dos atuais problemas econômicos -, da violência juvenil e da continuação das fortes diferenças econômicas entre os países. EFE rcf/wr/db

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