Rei da Bélgica coloca fim à crise e empossa novo governo

Após ficar mais de 500 dias sem governo, Elio di Rupo jurou seu cargo de primeiro-ministro, assim como os 19 membros do Executivo

iG São Paulo |

Os 19 ministros e secretários de Estado do governo do líder socialista francófono Elio di Rupo juraram nesta terça-feira seus cargos diante do rei belga, Albert 2º, em cerimônia no Palácio de Laeken ocorrida mais de um ano e meio depois da realização das últimas eleições gerais.

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AP
Elio Di Rupo cumprimenta o rei Albert 2º durante a cerimônia de posse

O primeiro a prestar juramento, nas três línguas nacionais (francês, holandês e alemão), foi o próprio Di Rupo, que se torna o primeiro premiê belga francófono em três décadas, seguido de seus vice-primeiros-ministros, ministros e secretários de Estado, informou a agência de notícias Belga.

Com exceção da nova titular de Agricultura, Sabine Laruelle, todos os ministros francófonos juraram seu cargo em francês e holandês, enquanto entre os flamengos só o titular de Finanças, Steven Vanackere, e o secretário de Estado da Função Pública, Hendrik Bogaert, se expressaram em ambas as línguas.

Nesta segunda-feira, Albert 2º nomeou Di Rupo o novo primeiro-ministro e aceitou o gabinete que propôs, no qual há até 13 nomes que permanecem do Executivo interino de Yves Leterme.

No total, o governo será composto por 13 ministros - incluindo o próprio Di Rupo - pertencentes aos seis partidos que participam da coalizão - socialistas, democratas-cristãos e liberais, tanto da vertente francófona como flamenga -, da qual ficam de fora os independentistas flamengos, apesar de terem sido a força política mais votada nas últimas eleições.

Seis deles são francófonos e outros seis, flamengos, enquanto Di Rupo - falante do francês - é considerado "neutro". Di Ruppo, 60 anos, é um filho de imigrantes italianos de origem pobre.

Após os juramentos, o novo Executivo fez uma foto com o monarca antes de se dirigir à sede do governo, onde está previsto que o antigo primeiro-ministro, Leterme, passe os poderes para seu sucessor e, em seguida, se realizará o primeiro Conselho de Ministros, com Di Rupo à frente.

Na quarta-feira, ele lerá a declaração do governo ao Parlamento, e na quinta-feira o debate na Câmara sobre sua nomeação será interrompido para que o novo premiê participe de sua primeira cúpula da União Europeia.

Embora ainda não tenha sido ratificado pelo Parlamento, Di Rupo participará do Conselho Europeu como chefe do governo belga por ter recebido essa nomeação do rei. As discussões parlamentares serão retomadas no sábado, quando está previsto que a Câmara dos Deputados emita seu voto de confiança.

Por outro lado, segundo o jornal Le Soir, o atual chefe do grupo socialista francófono no Parlamento, Thierry Giet, será o substituto de Di Rupo na presidência do Partido Socialista (PS) francófono.

O novo governo põe fim a uma crise que começou em abril de 2010 com a demissão do primeiro-ministro, o democrata-cristão Yves Leterme, e que se agravou após as eleições de junho desse ano.

Os políticos têm estado sob intensa pressão do mercado financeiro e das agências de rating para criar um governo efetivo e capaz de fazer as reformas estruturais e reduzir a dívida.

No mês passado, a agência de classificação Standard & Poor rebaixou a classificação de crédito da Bélgica de AA para AA+, o que pode tornar mais caro para o país fazer empréstimos no futuro.

Com EFE

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