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Rei belga pede responsabilidade a políticos para formar novo Governo

Bruxelas, 24 dez (EFE).- O rei da Bélgica pediu hoje responsabilidade aos políticos do país para que possa ser formado rapidamente um novo Governo e, lembrando uma declaração da ex-refém colombiana Ingrid Betancourt, incentivou os belgas a continuarem unidos, apesar de suas diferenças culturais.

EFE |

No discurso à nação que será exibido hoje à noite e que foi antecipado à imprensa, Alberto II atribui a nova crise política belga à "crise financeira internacional e a suas repercussões na Bélgica no âmbito judicial".

É a única alusão de sua mensagem aos eventos da última semana, que levaram à renúncia do Governo de coalizão presidido pelo democrata-cristão flamengo Yves Leterme.

Cerca de nove meses após assumir o cargo, o líder flamengo apresentou na sexta-feira ao rei sua renúncia e a de toda a sua equipe, entre acusações de ter tentado impedir uma sentença contrária à venda promovida pelo Governo do grande grupo bancário e de seguros Fortis.

"Espero ferventemente", afirma o rei, "que o sentido de responsabilidade de cada um leve rapidamente à formação de um novo Governo capaz de continuar fazendo frente com eficácia aos desafios econômicos, sociais e financeiros urgentes de nosso país, e de avançar na necessária reforma do Estado".

Na origem da última crise política belga está, segundo o monarca, o colapso creditício internacional, e, na raiz deste, "o desenvolvimento de produtos financeiros sem controle", tão "complicados e sofisticados", explica, "que a maioria dos responsáveis é incapaz de determinar seu valor real".

Apesar disso, "foram colocados à venda e foram adquiridos por instituições financeiras de todo o mundo em busca de margens de lucro cada vez maiores".

Alberto II pede que se aprenda a lição desta crise mundial para que algo parecido nunca mais aconteça.

"Acho necessário submeter todos os produtos financeiros a um controle eficaz e criar um organismo regulador europeu independente", afirmou.

"Rejeitemos com energia a volta ao isolacionismo. Aproveitemos esta crise para estabelecer novas maneiras de atuar conjuntamente, tanto no plano europeu como mundial, como ocorreu na conferência de Bretton Woods de 1944. Lembremos também que as finanças devem estar a serviço da economia, e esta a serviço do homem", destacou.

O monarca pede também que não sejam esquecidos "os mais vulneráveis, aqui e no terceiro mundo". "Esta crise mobilizou nos países desenvolvidos gigantes meios financeiros; não nos esqueçamos, por isso, da necessária proteção dos mais desamparados", afirmou.

Toda a segunda parte da mensagem de Natal do rei belga foi dedicada "à outra crise" vivida pelo país este ano e que colocou a Bélgica à beira da cisão.

O rei dá seu respaldo explícito às conclusões dos mediadores que defenderam uma "negociação séria e crível" entre flamengos e francófonos que leve "a uma reforma profunda e equilibrada do Estado" belga com mais autonomia, competências e responsabilidades para as comunidades e regiões.

Isso "sem questionar a solidariedade" entre todos os cidadãos.

Neste ponto, Alberto II confessa que ficou "muito impressionado" com um comentário de Ingrid Betancourt quando visitou a Bélgica no início de outubro.

Respondendo aos jornalistas, a ex-refém colombiana disse estar convencida de que a generosidade própria dos belgas "provém do fato de que a Bélgica sempre viveu com duas culturas que se entenderam, apesar das diferenças".

"O mundo tem necessidade desse exemplo", disse Betancourt. "Há muita intolerância, muitas soluções fáceis". "Freqüentemente dizemos que poderíamos viver cada um de nosso lado, mas isso seria fácil demais", conclui a passagem da política colombiana citado pelo rei.

EFE jms/db

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